Uma auditoria interna realizada pela atual gestão da Cedae aponta suspeitas de irregularidades em aplicações financeiras feitas pela companhia no Banco Master. O relatório indica que a instituição financeira não atenderia, inicialmente, aos critérios previstos na política de investimentos da estatal, mas que as regras teriam sido alteradas antes da efetivação dos aportes.
Segundo informações divulgadas sobre a sindicância, a Cedae aplicou mais de R$ 200 milhões em produtos ligados ao Banco Master. A auditoria cita suspeitas de negligência, possível fraude, dolo sistêmico e risco ao patrimônio da companhia. O caso passou a integrar o conjunto de questionamentos sobre a relação entre órgãos do governo do Rio de Janeiro e o banco, que foi liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central em novembro de 2025.
O relatório aponta que representantes da Cedae e do Banco Master participaram de reuniões antes da mudança na política de investimentos. Após a alteração, o banco teria passado a se enquadrar nos critérios internos da companhia, permitindo a aplicação dos recursos. A auditoria afirma que a dinâmica se assemelha ao roteiro investigado no caso do Rioprevidência, fundo responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões de servidores estaduais.
A Polícia Federal já investiga aplicações bilionárias do Rioprevidência em fundos do Banco Master. De acordo com a Agência Brasil, a operação apura aplicações de R$ 2,01 bilhões feitas a partir de 2024, além de repasses que, no total, chegam a cerca de R$ 3 bilhões relacionados à autarquia previdenciária.
O Ministério Público do Rio de Janeiro também acompanha os desdobramentos do caso. O Gaesf/MPRJ requisitou esclarecimentos ao Rioprevidência e ao liquidante do Banco Master sobre medidas para recuperar valores investidos após a liquidação extrajudicial da instituição financeira. O órgão também recomendou providências como apuração de responsabilidades, afastamento cautelar de envolvidos e adoção de medidas judiciais para tentar reaver recursos.
A sindicância da Cedae também menciona encontros envolvendo o então governador Cláudio Castro e o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Reportagens apontam que houve jantar em Nova York antes de reuniões relacionadas ao banco no Rio de Janeiro. Castro nega interferência nos investimentos da companhia e afirma que a Cedae possui governança própria, com análise técnica, parecer jurídico, avaliação de compliance e deliberação por instâncias internas.
A defesa da regularidade dos atos sustenta que os investimentos passaram pelos órgãos internos da empresa e que não há relação entre encontros políticos e decisões financeiras da estatal. Já a auditoria interna vê indícios que precisam ser aprofundados por órgãos de controle e investigação.
O caso amplia a pressão sobre o governo do Rio de Janeiro e reacende o debate sobre a aplicação de dinheiro público em instituições financeiras privadas, especialmente quando os recursos envolvem empresas estatais e fundos previdenciários. A principal preocupação é o impacto potencial sobre o patrimônio público e sobre valores destinados a serviços essenciais e ao pagamento de aposentadorias e pensões.
As conclusões da auditoria ainda podem ser encaminhadas a órgãos de controle, como Tribunal de Contas, Ministério Público e Polícia Federal, para apuração de responsabilidades administrativas, civis e criminais. Até decisão final das autoridades competentes, os citados devem ser tratados como investigados ou mencionados em apurações, sem condenação definitiva.
Compartilhe este conteúdo do Giro Capixaba, o melhor site de notícias do Estado do Espírito Santo.
Siga o GIRO CAPIXABA no Instagram

