O Galpão das Paneleiras de Goiabeiras, um dos maiores símbolos da cultura capixaba, foi palco na última terça-feira (7) de uma celebração dedicada às artesãs que mantêm viva a tradição das panelas de barro em Vitória. O evento também marcou a entrega oficial do estudo preliminar do projeto Raízes do Galpão – Cultura e Reabilitação Urbana, que vai orientar a futura revitalização do espaço.
A programação foi promovida pela Prefeitura de Vitória, por meio da Companhia de Desenvolvimento, Turismo e Inovação de Vitória (CDTIV), e reuniu paneleiras, autoridades, moradores, representantes de instituições parceiras e lideranças comunitárias em um momento de valorização de um dos mais importantes patrimônios culturais do Espírito Santo. O ofício das Paneleiras de Goiabeiras foi reconhecido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em 2002, como o primeiro Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil.
Durante a solenidade, a prefeita de Vitória, Cris Samorini, reforçou o compromisso da administração municipal com a preservação da cultura popular capixaba e com a valorização das Paneleiras de Goiabeiras. Segundo ela, a próxima etapa será transformar o estudo em ações concretas para modernizar a estrutura do galpão, ampliar as condições de trabalho das artesãs e qualificar a experiência de moradores e visitantes.
A chefe do Executivo municipal também destacou que o projeto foi construído de forma participativa, com escuta das paneleiras, da comunidade local e de instituições envolvidas na iniciativa. A proposta foi desenvolvida pelo curso de Arquitetura e Urbanismo da Faesa em parceria com a CDTIV, a Prefeitura de Vitória e as próprias artesãs.
O estudo foi apresentado pela professora Viviane Pimentel, coordenadora do projeto na Faesa, e reúne diretrizes para a preservação do patrimônio cultural, a melhoria das condições de produção e o fortalecimento do turismo de experiência em Goiabeiras. A proposta busca conciliar tradição, infraestrutura e valorização econômica de uma atividade que atravessa mais de quatro séculos de história.
A presidente da Associação das Paneleiras de Goiabeiras, Berenícia Corrêa, lembrou que o Dia das Paneleiras é celebrado em 7 de julho desde 1993 e ressaltou a importância de manter viva uma tradição anterior à própria fundação de Vitória. Ela também destacou a relevância da parceria com a Prefeitura e com a Faesa para fortalecer o trabalho das artesãs e preparar o galpão para um novo momento.
Representando a Faesa, a pró-reitora Carla Letícia Leite afirmou que o projeto entregue é resultado de uma construção coletiva e levou em conta estudos técnicos, oficinas participativas e vivências no território. Segundo ela, o objetivo foi propor soluções que respeitem a história das paneleiras e, ao mesmo tempo, promovam acessibilidade, infraestrutura e turismo sustentável.
Entre as melhorias previstas no projeto estão a ampliação dos boxes de produção, que devem passar de 32 para 36, a construção de copa, depósito e vestiário, a reorganização dos espaços de trabalho e a readequação da rampa de acesso. Também estão previstas melhorias nos banheiros e cobertura das áreas externas de produção, o que deve oferecer mais proteção contra as condições climáticas e melhores condições de trabalho para as artesãs.
A área de queima das panelas também deve passar por mudanças. O estudo prevê cobertura do espaço, cercamento, criação de depósito para armazenamento de madeira e implantação de uma área de observação, permitindo que visitantes acompanhem com mais segurança as etapas do processo produtivo.
O projeto amplia ainda o potencial turístico do Galpão das Paneleiras. Entre as propostas estão a melhoria da lanchonete, ampliação do deck, cobertura do varandão do mezanino, requalificação do ancoradouro utilizado pelo turismo náutico e instalação de uma passarela de madeira às margens do manguezal, conectando o espaço ao desembarque de ônibus de turismo e criando um percurso de imersão cultural e paisagística em Goiabeiras.
A celebração contou também com apresentações da Banda de Congo Panela de Barro e da Banda da Guarda Civil Municipal de Vitória, que interpretaram canções tradicionais da cultura capixaba. Durante o evento, chefs convidados prepararam ao vivo um arroz de mariscos em panela de barro, reforçando a ligação entre o trabalho das paneleiras e a gastronomia que ajudou a projetar Vitória nacionalmente.
Mais do que marcar o Dia das Paneleiras, a cerimônia reforçou a importância de preservar uma tradição viva que movimenta a economia criativa, fortalece o turismo e mantém acesa uma das identidades culturais mais emblemáticas do Espírito Santo.
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