A tradição do congo capixaba segue viva no Espírito Santo graças à dedicação de famílias que mantêm há gerações uma das manifestações culturais mais emblemáticas do estado.
Em Vila Velha, a jovem Maju Santos cresceu cercada pelos tambores, cortejos e festejos tradicionais do congo, acompanhando desde cedo a atuação da mãe, Beatriz dos Santos Rego, e do avô, Daniel Vieira dos Santos.
Segundo Maju, sua ligação com o congo começou antes mesmo do nascimento, quando a mãe já participava das tradicionais fincadas de mastro durante a gravidez.
Atualmente, ela integra a Banda de Congo Mestre Honório e o grupo feminino Madalenas do Jucu.
A Fincada de Mastro é uma das principais celebrações ligadas ao congo capixaba e homenageia São Benedito e os escravizados que sobreviveram a um naufrágio ao se agarrarem ao mastro de uma embarcação, segundo a tradição popular.
A festividade reúne música, dança e cortejos pelas ruas das cidades, além da instalação de mastros decorados em espaços públicos.
Os grupos liderados por Maju participaram de um cortejo cultural realizado em Aracruz durante a 6ª edição da Teia Nacional dos Pontos de Cultura.
O desfile reuniu também representantes de outras tradições culturais da região, incluindo os Guerreiros Tupinikim, da aldeia Irajá.
Mulheres ganham protagonismo no congo
O grupo Madalenas do Jucu foi criado em 2021 por Beatriz dos Santos Rego com o objetivo de ampliar a participação feminina dentro das bandas de congo.
Segundo Beatriz, o projeto concretizou um antigo sonho do mestre da Banda de Congo Mestre Honório, que desde a década de 1990 desejava formar um grupo composto exclusivamente por mulheres.
A regente destaca que a resistência das bandas de congo depende da valorização da cultura popular, da ocupação dos espaços públicos e das políticas de incentivo cultural.
Ela afirma que editais e apoios culturais têm sido fundamentais para garantir a continuidade das festas tradicionais e das apresentações realizadas ao longo do ano.
Herança cultural preservada
Aos 85 anos, o mestre Daniel Vieira dos Santos segue participando ativamente dos cortejos e apresentações da Banda de Congo Mestre Honório.
Ele conta que começou a tocar ainda na adolescência e nunca mais se afastou da tradição.
Além de músico, Mestre Daniel também se tornou referência na fabricação artesanal de tambores. Segundo ele, mais de 2,5 mil instrumentos já foram produzidos pelas próprias mãos ao longo da vida. Hoje, três gerações da mesma família seguem unidas na preservação da cultura do congo capixaba, mantendo viva uma das expressões culturais mais importantes do Espírito Santo.
Compartilhe este conteúdo do Giro Capixaba, o melhor site de notícias do Estado do Espírito Santo.
Siga o GIRO CAPIXABA no Instagram





