Criado em 1º de julho de 1946, no contexto da redemocratização e da industrialização do país após a Segunda Guerra Mundial, o Serviço Social da Indústria (Sesi) completa 80 anos com uma trajetória marcada por ações nas áreas de educação, saúde e cultura. Ao longo de oito décadas, a instituição ampliou sua presença nacional e se consolidou como uma das principais redes de apoio aos trabalhadores da indústria e seus dependentes.
Atualmente, o Sesi mantém 468 unidades educacionais em 377 municípios brasileiros. Desse total, 396 são escolas de ensino regular, 71 são voltadas para a Educação de Jovens e Adultos (EJA), com oferta gratuita, e uma unidade atua no ensino superior. Em 2024, a rede registrou mais de 390 mil matrículas na educação básica, sendo cerca de 9 mil na educação infantil, 166 mil no ensino fundamental, 85,2 mil no ensino médio e 128,9 mil na EJA.
Uma dessas histórias de transformação é a da brasiliense Ana Carolina Gino, de 23 anos. Ex-aluna bolsista da escola do Sesi em Taguatinga, no Distrito Federal, ela lembra que o primeiro contato com a tecnologia aconteceu ainda no sexto ano do ensino fundamental, durante uma aula de robótica em que ajudou a construir, ao lado dos colegas, uma maquete móvel do sistema solar.
Hoje, uma década depois, Ana Carolina atua como coordenadora de suporte a sistemas em uma fintech ligada ao setor de energia solar. Para ela, a experiência vivida na escola foi decisiva na escolha da carreira na área de tecnologia, um caminho que antes parecia distante da realidade de muitas crianças da periferia.
Segundo o presidente do Conselho Nacional do Sesi, Fausto Augusto Junior, a missão da instituição sempre esteve ligada ao atendimento dos filhos de trabalhadores da indústria, com oferta de bolsas, descontos e ações de inclusão educacional.
Ele destaca que o perfil da mão de obra industrial brasileira mudou nas últimas décadas e que atualmente mais de 70% dos trabalhadores do setor já possuem ensino médio completo. Nesse contexto, o Sesi manteve a educação como uma das suas principais frentes de atuação, especialmente no ensino básico e na qualificação de jovens e adultos.
A Educação de Jovens e Adultos, aliás, ocupa lugar histórico dentro da trajetória da instituição. Em um Brasil que ainda enfrentava altos índices de analfabetismo no pós-guerra, o programa se tornou uma ferramenta importante para ampliar o acesso à alfabetização e à formação escolar, inclusive com unidades móveis e estruturas instaladas em canteiros de obras e dentro de empresas.
Entre os nomes que passaram pela instituição está o educador Paulo Freire, patrono da educação brasileira, que trabalhou no Sesi por 19 anos a partir de 1947. Foi nesse período que desenvolveu parte de sua experiência com alfabetização de adultos, mais tarde reconhecida internacionalmente.
A criação do Sesi está diretamente ligada ao processo de industrialização e urbanização do Brasil no pós-Segunda Guerra. Naquele momento, empresários, liderados por Roberto Simonsen, defenderam a criação de serviços sociais voltados aos trabalhadores da indústria, diante da necessidade de reorganizar as relações de trabalho e melhorar as condições de vida da população operária.
De acordo com Fausto Augusto Junior, o nascimento da instituição também coincidiu com um período em que o país começava a discutir de forma mais estruturada os direitos sociais. A proposta recebeu apoio de sindicatos patronais e de trabalhadores e se consolidou como uma resposta às demandas de um Brasil em transformação.
Com a promulgação da Constituição de 1988 e a ampliação das responsabilidades do Estado na área social, o papel do Sesi passou a ser complementar, mantendo ações em educação, saúde, segurança no trabalho e promoção cultural.
Na área da saúde, o Sesi mantém mais de 500 unidades próprias de atendimento voltadas ao trabalhador da indústria em todo o país. Em 2025, segundo a instituição, 76,2 mil empresas foram atendidas com serviços de saúde, beneficiando diretamente 4,4 milhões de pessoas. No mesmo período, mais de 881 mil vacinas foram aplicadas em trabalhadores e dependentes.
A instituição também atua com programas de prevenção, promoção da saúde e segurança do trabalho. Atualmente, são 222 centros voltados especificamente a ações dessa área, além de serviços que incluem exames, orientação e acompanhamento para trabalhadores da indústria.
Outro braço importante da atuação do Sesi está na cultura. Entre 2020 e 2025, a entidade contabilizou 296 espaços culturais espalhados por todos os estados brasileiros, promovendo atividades artísticas, educativas e de formação de público.
Como parte das comemorações pelos 80 anos, o Sesi abrirá no próximo sábado (4), em Brasília, uma exposição no Sesi Lab com mais de 400 imagens, documentos e materiais históricos que retratam a trajetória da instituição desde sua fundação.
Entre os destaques da mostra está a Carta da Paz Social, considerada um dos documentos fundadores do Sesi. Elaborada no contexto da reconstrução democrática do pós-guerra, a carta defendia a cooperação entre trabalhadores, empresários e poder público como caminho para o desenvolvimento do país.
Também no sábado, o público poderá acompanhar um show gratuito do cantor Zeca Baleiro, a partir das 18h, em celebração ao aniversário da instituição.
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