Embora o carnaval oficial só comece em fevereiro, o clima da folia já toma conta do Rio de Janeiro. Neste domingo (4), cariocas e turistas participam da abertura simbólica do chamado Carnaval Não Oficial, com mais de 70 blocos espalhados pelo Centro e por bairros das zonas Sul e Norte da cidade.
A programação começa cedo, a partir das 8h, com blocos parados e cortejos ocupando praças, ruas históricas e espaços culturais do Centro. As apresentações seguem ao longo do dia até o fim da tarde, quando o tradicional Cordão do Boi Tolo conduz o grande cortejo coletivo, reunindo dezenas de blocos em um trajeto que parte do Centro e segue pelo Aterro do Flamengo, Botafogo e Copacabana.
Para Luís Otávio Almeida, integrante do Cordão do Boi Tolo e representante da Desliga dos Blocos, o termo “Carnaval Não Oficial” reflete mais um posicionamento político do que uma classificação formal. Segundo ele, a expressão surgiu após tentativas da prefeitura, a partir de 2009, de oficializar o carnaval de rua por meio de exigências burocráticas.
“O que hoje se chama de Carnaval Não Oficial pode ser chamado apenas de Carnaval, como foi por mais de dois séculos na cidade. A exigência de que um bloco exista no papel com meses de antecedência criou uma divisão artificial”, afirma.
Almeida explica que a Desliga dos Blocos não atua como uma liga tradicional. “A Desliga é um movimento. Os blocos participam da abertura por livre adesão. O máximo que fazemos é alinhar a programação conforme a intenção de cada coletivo”, diz.
A programação completa pode ser acompanhada pelas redes sociais da Desliga e pelos perfis dos próprios blocos. Ao longo de todo o pré-carnaval, estão previstos ensaios, eventos e novos cortejos em diferentes regiões da cidade.
Além do aspecto cultural, o carnaval de rua tem impacto direto na economia e no turismo. Para Almeida, o papel do poder público deve ser garantir infraestrutura básica, sem interferir na essência da festa. “O carnaval gera renda consistente para a cidade. Segurança, limpeza e trânsito são fundamentais, mas sem descaracterizar a maior festa popular do planeta”, ressalta.
Neste ano, a abertura do carnaval não oficial também inclui programação voltada para o público infantil. A chamada Aberturinha, no Aterro do Flamengo, oferece brincadeiras populares, oficinas e shows para crianças ao longo da manhã.
Programação dos blocos – Domingo (4)
Blocos parados
- 8h – Love Songs – Praça Marechal Âncora
- 9h – O Baile Todo – Armazém Utopia
- 9h – Não Monogamia – Praça Mauá
- 9h – NossoBloco – Bar Kamikaze
- 10h – Marimbondo Não Respeita – Armazém Utopia
- 10h – Projeto Girô – Praça Paris
- 10h – 8&80 – Bar Kamikaze
- 10h – Enxota Que Eu Vou – Casa Carnaval Rio
- 11h – Skabloco – Armazém Utopia
- 11h – RodaBloco – Bar Kamikaze
- 11h – Bloco dos Inconfidentes – Casa Carnaval Rio
- 11h – Percussaça – Bargaça (Morro do Pinto)
- 11h – Toques para Odudua – Praça XV
- 12h – Te Devoro – Praça da Candelária
- 12h – Marejada – Casa Carnaval Rio
- 12h – Calcinhas Bélicas – Praça XV
- 13h – Bloco da Insana – Casa Carnaval Rio
- 14h – Lambabloco – Casa Carnaval Rio
- 15h – Os Biquínis de Ogodô convidam As Sungas de Odara – Praça XV
- 17h – Só Toca Bloco – Praça XV
Blocos com cortejo
- 8h – Bloco da Frida – Pira Olímpica
- 8h – Papagoyaba – Barca Niterói–Rio
- 9h – Vem Cá Minha Flor – Praça Marechal Âncora
- 10h – Banheira do Gugu – Pira Olímpica
- 11h – Bigode do Leôncio – Arco do Teles
- 14h – Surdos e Mundos – Rua Dom Manuel
- 17h – Grande cortejo com o Cordão do Boi Tolo – Local a confirmar
Aberturinha – programação infantil
- 9h às 10h30 – Kidmi Brincante e oficina de perna de pau
- 10h30 às 11h – Contação de histórias com a Palhaça Claroca
- 11h às 12h – Banda Fanfarrinha
- Local: Aterro do Flamengo (altura do Belmonte)
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