A 25ª edição do Prêmio Grande Otelo marcou uma noite histórica para o cinema brasileiro ao premiar, pela primeira vez, duas produções na principal categoria da premiação. Os longas “Manas”, dirigido por Marianna Brennand, e “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho, dividiram o troféu de Melhor Filme durante a cerimônia realizada no Theatro Municipal do Rio de Janeiro.
Após conquistar dezenas de prêmios em festivais internacionais, Marianna Brennand destacou a emoção de receber reconhecimento no próprio país. Segundo a cineasta, a valorização por parte do público e dos profissionais brasileiros tem um significado especial na trajetória da obra.
Kleber Mendonça Filho também comemorou o resultado e ressaltou a importância do Prêmio Grande Otelo para o fortalecimento da indústria audiovisual nacional. O diretor lembrou que acompanhou a premiação ainda como jornalista e afirmou que o reconhecimento concedido pelos próprios profissionais do setor tem grande relevância para quem produz cinema no Brasil.
Durante a cerimônia, artistas, diretores, produtores e técnicos reforçaram que o cinema brasileiro vive um período de destaque internacional, impulsionado pela qualidade das produções, pela geração de empregos e pelo fortalecimento da cultura nacional.
A presidente da Academia Brasileira de Cinema, Renata Almeida Magalhães, ressaltou que o diferencial do prêmio está na escolha feita pelos próprios integrantes da categoria, sem participação de júri externo, tornando a premiação um reconhecimento direto entre colegas de profissão.
O longa “Manas” também foi celebrado pela forte presença feminina em sua criação. Além da direção de Marianna Brennand, o filme contou com roteiro e produção liderados por mulheres, característica destacada pela roteirista Antonia Pellegrino, presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).
Segundo Antonia, a equipe feminina contribuiu para abordar um tema delicado com sensibilidade, fortalecendo a narrativa e ampliando o impacto social da obra.
Além do prêmio principal, “Manas” conquistou os troféus de Melhor Direção, Melhor Roteiro Original, Melhor Montagem e Melhor Atriz Coadjuvante, com Dira Paes.
‘Homem com H’ lidera número de troféus
Mesmo sem conquistar o prêmio principal da Academia, a cinebiografia “Homem com H”, inspirada na trajetória de Ney Matogrosso, foi a produção mais premiada da noite. O longa levou seis estatuetas, incluindo Melhor Ator para Jesuíta Barbosa e Melhor Filme pelo Júri Popular.
Já “O Agente Secreto”, além do prêmio de Melhor Filme, também venceu nas categorias de Melhor Fotografia e Melhores Efeitos Visuais.
Confira os principais vencedores:
- Melhor Filme (empate): Manas e O Agente Secreto
- Melhor Filme pelo Júri Popular: Homem com H
- Melhor Direção: Marianna Brennand (Manas)
- Melhor Ator: Jesuíta Barbosa (Homem com H)
- Melhor Atriz: Denise Weinberg (O Último Azul)
- Melhor Ator Coadjuvante: Rodrigo Santoro (O Último Azul)
- Melhor Atriz Coadjuvante: Dira Paes (Manas)
- Melhor Roteiro Original: Manas
- Melhor Documentário: Apocalipse nos Trópicos
- Melhor Filme Infantil: O Diário de Pilar na Amazônia
- Melhor Animação: Tainá e os Guardiões da Amazônia: Em Busca da Flecha Azul
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