O Festival do Rio chega ao último fim de semana, neste domingo (11), com a expectativa de superar o público de 140 mil pessoas registrado na edição anterior. A 28ª edição, realizada entre 1º e 11 de outubro, reúne mais de 350 filmes brasileiros e internacionais, com pré-estreias, sessões especiais, debates e encontros com profissionais do audiovisual. As atividades ocupam 28 salas de cinema e espaços culturais do Rio de Janeiro e de Niterói.
Além da programação nas telas, o evento movimenta o mercado audiovisual por meio do RioMarket, espaço dedicado a negócios, formação e discussão de temas como financiamento, coproduções, políticas industriais e expansão internacional do cinema brasileiro.
Segundo a diretora do festival e do RioMarket, Walkiria Barbosa, o setor movimentou R$ 81,1 bilhões na economia brasileira em 2025, o equivalente a 0,64% do Produto Interno Bruto (PIB), conforme estudo da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) em parceria com a Universidade Federal Fluminense (UFF).
O festival também funciona como vitrine para novos cineastas e produções independentes, aproximando realizadores, distribuidores, exibidores e espectadores. A programação inclui sessões gratuitas e atividades em diferentes regiões, com o objetivo de ampliar o acesso à cultura e estimular a formação de novos públicos.
Para os organizadores, a circulação das obras é importante tanto para fortalecer a produção nacional quanto para criar oportunidades de negócios e ampliar a presença dos filmes brasileiros no mercado.
Entre os destaques nacionais está Justino: Nos Bastidores do Reino, dirigido por José Eduardo Belmonte e exibido na Première Brasil Hors-Concours. Produzido por Nilson Rodrigues, o longa acompanha a trajetória de um jovem da periferia que encontra na religião uma possibilidade de transformação e passa a integrar a expansão internacional de uma instituição religiosa.
Após construir uma carreira como pastor e ser afastado da igreja, ele decide revisitar o próprio passado 15 anos depois. Filmada no Brasil e em Portugal, a produção aborda fé, poder, intolerância e preconceito, com elenco formado por Christian Malheiros, Caio Blat, Larissa Nunes, Onna Silva, Lucas Leto, Bruno Garcia, Angel Ferreira e Antônio Pitanga.
A formação de plateias, especialmente entre os jovens, também está entre os desafios discutidos pela direção do Festival do Rio. A diretora Ilda Santiago destacou a importância de ampliar a oferta de filmes que abordem experiências, conflitos e sentimentos presentes na juventude.
Um dos títulos que dialogam com esse público é As Dez Vantagens de Morrer Depois de Você, dirigido por Diego Freitas e protagonizado por Any Gabrielly e Giulia Be. Baseado no livro de Fernanda Castro e Silva, o filme trata de amizade, luto e recomeço.
Na história, Gabi, interpretada por Any Gabrielly, é uma jovem tímida que prefere manter a rotina até receber dez cartas deixadas pela melhor amiga, Julia, personagem de Giulia Be, após sua morte. Cada mensagem propõe um desafio que a incentiva a enfrentar medos, experimentar novas situações e lidar com a perda.
A produção integra a programação voltada a diferentes gerações e reforça a proposta de aproximar o público brasileiro de histórias que retratam experiências pessoais e questões contemporâneas.
A programação internacional recebeu o cineasta iraniano Asghar Farhadi, vencedor de dois Oscars de melhor filme internacional por A Separação e O Apartamento. Em sua primeira visita ao Brasil, o diretor apresentou Contos Paralelos (Parallel Tales), filme que teve estreia mundial na competição oficial do Festival de Cannes deste ano.
A presença do cineasta amplia o diálogo entre o festival e a produção cinematográfica internacional, reunindo diferentes perspectivas artísticas e narrativas.
Estrelado por Catherine Deneuve, Isabelle Huppert, Virginie Efira, Vincent Cassel, Adam Bessa e India Hair, Contos Paralelos acompanha uma escritora que enfrenta uma crise criativa e passa a observar os vizinhos em busca de inspiração. A chegada de um jovem contratado para ajudá-la nas tarefas cotidianas muda a relação entre observação e realidade.
Com a programação diversificada, o Festival do Rio encerra sua 28ª edição reforçando o papel do cinema como espaço de expressão cultural, descoberta de novos talentos e aproximação entre obras, profissionais e público.
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