Ouro Preto, primeira cidade brasileira a receber o título de Patrimônio Mundial da Humanidade pela Unesco, completa 45 anos de reconhecimento internacional. A conquista ocorreu em 5 de setembro de 1980 e consolidou a antiga Vila Rica como referência na preservação histórica e cultural.
Erguida no século 18, no coração de Minas Gerais, a cidade nasceu dos arraiais mineradores que prosperaram com a corrida do ouro. O barroco mineiro floresceu nesse ambiente e projetou artistas como Aleijadinho e Mestre Ataíde, cujas obras se tornaram símbolos universais da arte e do patrimônio cultural.
O conjunto arquitetônico e urbano preserva o traçado colonial e a memória de episódios marcantes da história brasileira, como a Inconfidência Mineira. Entre os ícones estão a Igreja de São Francisco de Assis, considerada obra-prima do Aleijadinho, a Basílica de Nossa Senhora do Pilar e o casario característico que mantém viva a atmosfera setecentista. Além do patrimônio material, tradições como o Toque dos Sinos e os Reinados e Congados seguem como expressões culturais registradas pelo Iphan.
De acordo com o presidente do Iphan, Leandro Grass, Ouro Preto pertence “não apenas a Minas Gerais ou ao Brasil, mas a toda a humanidade”. Ele destacou que os 45 anos como Patrimônio Mundial reforçam o compromisso de preservação e projetam o futuro com novos investimentos.
Como parte das comemorações, o Novo PAC vai destinar mais de R$ 32 milhões para 12 iniciativas de restauração e requalificação em Ouro Preto. As obras incluem a recuperação de capelas históricas, como Santana, São João, São Sebastião e Nossa Senhora da Piedade, além de importantes igrejas, entre elas São Francisco de Assis, São Francisco de Paula e Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos. Também está prevista a restauração dos sinos históricos e intervenções urbanísticas no entorno da Capela do Padre Faria.
Minas Gerais, no total, receberá cerca de R$ 236 milhões em 40 ações voltadas ao patrimônio cultural, reafirmando o papel de Ouro Preto como referência mundial em preservação e memória histórica.
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