Começou na última sexta-feira (29), no Rio de Janeiro, a sétima edição do Festival 3i, um dos principais encontros voltados à inovação no jornalismo digital da América Latina. O evento segue até domingo (31) e celebra os cinco anos da Associação de Jornalismo Digital (Ajor), reunindo profissionais, pesquisadores e especialistas nacionais e internacionais para discutir os desafios e as transformações do setor.
A programação aborda temas centrais para o futuro da comunicação, como o avanço da inteligência artificial nas redações, a cobertura das eleições de 2026, o combate à desinformação, a sustentabilidade financeira dos veículos de imprensa e as novas formas de relacionamento com o público.
Especialistas internacionais participam dos debates
A edição deste ano conta com a presença de nomes reconhecidos mundialmente no campo do jornalismo e da inovação digital. Entre os convidados estão o especialista italiano Mattia Peretti, fundador da News Alchemists e referência em inteligência artificial aplicada às redações; a jornalista paraguaia Jazmin Acuña, cofundadora do veículo El Surti; a norte-americana Madison Karas, especialista em design de serviços para mídia; a editora queniana Daisy Okoti, do Nation Media Group; e a colombiana Elizabeth Otálvaro, codiretora executiva do portal Mutante.
Para a diretora executiva da Associação de Jornalismo Digital, Maia Fortes, o festival acontece em um contexto decisivo para a democracia e para a imprensa brasileira.
Segundo ela, as eleições de 2026 ocorrerão em um ambiente marcado pela rápida evolução das tecnologias de inteligência artificial generativa, pela ampliação da circulação de conteúdos desinformativos e pelos desafios financeiros enfrentados por empresas jornalísticas.
Impacto social ganha espaço nas discussões
Um dos temas mais debatidos no primeiro dia do evento foi o papel do jornalismo como agente de transformação social.
A editora queniana Daisy Okoti destacou que o impacto de uma reportagem pode ser medido por diferentes níveis de transformação, desde mudanças institucionais até efeitos diretos na vida dos leitores.
Já a jornalista colombiana Elizabeth Otálvaro apresentou a metodologia utilizada pelo portal Mutante, baseada no conceito de “conversa social”, que busca aproximar o jornalismo das necessidades reais das comunidades.
Como exemplo, ela citou uma investigação sobre o vírus HPV que deu origem a grupos de apoio e troca de informações entre mulheres afetadas pela doença, ampliando o alcance e a utilidade social da cobertura jornalística.
A fundadora do veículo paraguaio El Surti, Jazmin Acuña, ressaltou a importância de criar vínculos mais profundos com a audiência.
Segundo ela, o jornalismo contemporâneo precisa ir além da simples produção de conteúdo e estimular a participação ativa da população em investigações, debates e iniciativas comunitárias.
Acuña destacou que atividades presenciais, fóruns de discussão e projetos que unem arte e comunicação têm fortalecido a confiança do público e ampliado o impacto das reportagens.
Mudanças nas audiências preocupam o setor
Os debates também abordaram as transformações nos hábitos de consumo de informação.
Dados apresentados durante o festival indicam que cerca de 32% dos veículos digitais brasileiros são compostos por iniciativas individuais ou blogs independentes.
Além disso, aproximadamente um terço dos brasileiros afirma buscar informações por meio de influenciadores digitais, refletindo uma mudança significativa na forma como o público acessa notícias e conteúdos de interesse público.
Sustentabilidade financeira segue como desafio
Outro tema central da programação é a viabilidade econômica dos veículos de comunicação.
O setor enfrenta dificuldades para manter modelos baseados em assinaturas e conteúdos pagos. Dados apresentados no evento mostram que a proporção de leitores que pagam por informação caiu de 20% em 2023 para 17% em 2025.
Diante desse cenário, especialistas discutem alternativas para garantir a sustentabilidade do jornalismo profissional e preservar sua função essencial na democracia.
O Festival 3i segue até domingo reunindo experiências, pesquisas e soluções voltadas ao fortalecimento do jornalismo independente, da inovação tecnológica e da produção de informação de qualidade.
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