O Museu Nacional, localizado no bairro de São Cristóvão, no Rio de Janeiro, celebra seus 208 anos de história com a abertura de duas exposições inéditas ao público. As mostras passam a integrar a programação cultural da instituição a partir deste domingo (21) e ocupam seis salas do histórico Paço de São Cristóvão, que segue em processo de reconstrução após o incêndio de grandes proporções ocorrido em setembro de 2018.
Uma das atrações é Rescaldo das Memórias, exposição individual do artista plástico Vik Muniz. A mostra reúne fotografias e esculturas produzidas com cinzas e fragmentos recuperados dos escombros do palácio. Instalada justamente na área onde o incêndio teve início, a exposição promove uma reflexão sobre preservação, memória e renascimento, transformando vestígios da tragédia em elementos de expressão artística.
A segunda exposição, intitulada Bastidores da Ciência, destaca o trabalho desenvolvido nos laboratórios e setores técnicos do Museu Nacional. O público poderá conhecer atividades essenciais para a preservação e difusão do conhecimento científico, incluindo restauração de peças, paleoarte, modelagem digital, taxidermia, ilustração científica e conservação de acervos.
Entre os destaques da mostra estão instrumentos musicais confeccionados pelo luthier Davi Lopes com madeiras recuperadas após o incêndio. As peças simbolizam a transformação de materiais afetados pela tragédia em novas formas de arte e cultura.
O percurso expositivo também apresenta achados arqueológicos, elementos históricos restaurados e uma seleção de acervos científicos doados pelo Museu Sueco de História Natural. O conjunto integra uma homenagem aos 200 anos das relações diplomáticas entre Brasil e Suécia.
Para a direção da instituição, as exposições representam um importante marco no processo de reconstrução do museu. A proposta é aproximar visitantes da história, da produção científica e dos projetos que estão dando nova vida a um dos mais importantes patrimônios culturais do país.
Além de valorizar a memória do passado, as mostras reforçam o compromisso do Museu Nacional com a educação, a pesquisa e a democratização do acesso à ciência e à cultura.
A reconstrução do palácio segue avançando. Atualmente, cerca de 75% das fachadas históricas já foram restauradas e 80% dos telhados foram reconstruídos. Também estão em andamento obras de recuperação de espaços internos emblemáticos, ampliação de estruturas de apoio e instalação de sistemas modernos de segurança e prevenção contra incêndios.
As exposições poderão ser visitadas gratuitamente até o dia 30 de agosto, mediante retirada de ingressos pela plataforma Sympla. No primeiro dia de funcionamento, o acesso será livre, sem necessidade de reserva antecipada.
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