Duas novas exposições abertas na capital paulista estão evidenciando o protagonismo das mulheres no universo do graffiti, historicamente marcado pela predominância masculina. As mostras reúnem obras produzidas majoritariamente por artistas femininas e promovem reflexões sobre questões sociais que impactam diretamente o cotidiano das mulheres.
As exposições Grafiteira Pela Vida das Mulheres, organizada pelo coletivo Mulheres Urbanas, e Na Cena Semeando Resistência, com curadoria de Ju Costa, ocupam o primeiro andar e o térreo do prédio da Ação Educativa, localizado na região da Consolação, em São Paulo.
As obras apresentadas abordam temas como violência de gênero, autonomia feminina e liberdade, utilizando o graffiti como ferramenta de conscientização e transformação social. Para a artista visual Francine Fernandes Rosa, conhecida como Frosa e integrante do coletivo Mulheres Urbanas, a escolha do tema está diretamente relacionada ao aumento dos casos de violência contra as mulheres.
“A gente tem acompanhado bastante o que tem acontecido em todos os lugares, que é a questão da violência contra as mulheres. Infelizmente, não era mais para isso acontecer, e parece que só cresceu. Então resolvemos trabalhar com esse tema”, afirma a artista.
Valorização da arte periférica
Além de promover o protagonismo feminino, as exposições também buscam ampliar a visibilidade do graffiti, linguagem artística frequentemente associada às periferias e nem sempre reconhecida em espaços institucionais. Ao serem realizadas em uma região central da cidade, as mostras contribuem para aproximar diferentes realidades urbanas.
Segundo a coordenadora de cultura da Ação Educativa, Fernanda Nascimento, iniciativas como essa são fundamentais para legitimar a arte urbana sem que ela perca sua conexão com os territórios de origem. O deslocamento das obras para o centro da cidade representa, ainda, uma forma de reduzir a distância simbólica entre periferia e centro.
Para Frosa, essa aproximação é essencial para dar visibilidade às vivências das mulheres das periferias. “Trazer a realidade dessas pessoas para elas serem vistas e lembradas é de extrema importância. É uma forma de aproximar esses mundos que, embora existam no mesmo local, estão distantes”, destaca.
Sororidade e fortalecimento coletivo
A união entre mulheres é outro elemento central das exposições. A curadora Ju Costa ressalta que, apesar de a estrutura social muitas vezes incentivar a competição feminina, o graffiti tem promovido o fortalecimento coletivo e a colaboração entre artistas.
“A gente percebe que, quando estamos fortalecendo umas às outras, todas ganham. Não tem perda. Quando trazemos luz para várias, todas brilhamos juntas”, afirma.
Frosa também destaca que o espírito de cooperação foi essencial para a concepção da mostra Grafiteira Pela Vida das Mulheres, reunindo artistas que compartilham o compromisso com a defesa da vida e dos direitos das mulheres. “Chamamos outras mulheres que também se preocupam com isso, que têm essa temática de uma forma constante, para trazer isso como uma reflexão e uma forma de ser em prol das mulheres mesmo”, explica.
Serviço:
- Exposição: Grafiteira Pela Vida das Mulheres – coletivo Mulheres Urbanas
- Local: Espaço Cultural Periferia no Centro, 1º andar – Ação Educativa
- Endereço: Rua General Jardim, 660, Centro, São Paulo
- Entrada: Gratuita
- Período: Até 27 de maio
- Exposição: Na Cena Semeando Resistência – curadoria de Ju Costa
- Local: Térreo – Ação Educativa
- Endereço: Rua General Jardim, 660, Centro, São Paulo
- Entrada: Gratuita
- Período: Até o fim do ano
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