O Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular abre, no próximo dia 30, a exposição “Filhas e netas da Mãe do Barro: as louceiras de Maruanum”, reunindo peças de cerâmica produzidas no distrito rural de Maruanum, no Amapá. A mostra será realizada na cidade do Rio de Janeiro, com entrada gratuita.
É a primeira vez que essas cerâmicas, produzidas a partir de matérias orgânicas da região amazônica e que combinam saberes indígenas e de matriz africana, são exibidas em uma exposição exclusiva fora do estado de origem.
O Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular é uma unidade do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e abriga a mostra que reúne 208 peças criadas por 18 artesãos de Maruanum, incluindo adultos e crianças.
A pesquisa que viabilizou a exposição foi conduzida pela antropóloga Ana Carolina Nascimento, que visitou a comunidade em 2025. Segundo ela, a realização da mostra era um desejo antigo, dificultado pela sazonalidade das matérias-primas utilizadas na produção.
A produção das louças envolve conhecimentos tradicionais sobre a biodiversidade amazônica, com o uso de barro, cinzas da árvore caripé (Licania scabra) e resina vegetal jutaicica, extraída do jatobá (Hymenea courbaril).
Além da técnica, a produção carrega forte dimensão cultural e espiritual. Um dos rituais mais importantes ocorre após a retirada do barro, quando as artesãs fazem pequenas peças e as devolvem ao local de origem como forma de agradecimento, acompanhado de cantos tradicionais do marabaixo.
Reconhecimento cultural
A tradição das louceiras de Maruanum é mantida atualmente por 26 pessoas, em sua maioria mulheres, distribuídas em comunidades quilombolas a cerca de 80 quilômetros de Macapá.
De acordo com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, há perspectiva de abertura de processo para reconhecimento do ofício como patrimônio imaterial brasileiro, o que garantiria proteção e valorização desse saber tradicional.
Programação especial
No dia da abertura, haverá uma roda de conversa com a mestra Marciana Dias, de 85 anos, considerada guardiã desse conhecimento, além de outros convidados ligados à pesquisa e preservação da tradição.
A exposição integra o programa Sala do Artista Popular, criado em 1983, e ficará aberta ao público até o dia 1º de julho, com visitação de terça a domingo.
serviço:
- Exposição: Filhas e netas da Mãe do Barro: as louceiras de Maruanum
- Local: Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular
- Período: de 30 de abril a 1º de julho
- Horários: terça a sexta, das 10h às 18h; sábados, domingos e feriados, das 11h às 17h
- Entrada: gratuita
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