O antigo edifício Docas Dom Pedro II, localizado na Pequena África, no centro do Rio de Janeiro, passa a se chamar Armazém Docas André Rebouças. A mudança homenageia o engenheiro negro e abolicionista responsável por grandes obras de engenharia no Brasil, como a Estrada de Ferro Curitiba-Paranaguá, a reforma dos portos de Santos e do Rio de Janeiro e a construção das Docas D. Pedro II.
A decisão foi anunciada nesta terça-feira (16) durante reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural do Iphan. O novo nome será atualizado no Livro do Tombo Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico.
História e legado de André Rebouças
A família Rebouças chegou ao Rio de Janeiro em 1846. André e seu irmão Antônio ingressaram na Escola Militar ainda adolescentes e se formaram engenheiros militares em 1860. Após uma viagem à Europa, retornaram ao Brasil em 1863, assumindo reformas em fortalezas de Santos até Santa Catarina. Em 1864, André projetou o novo porto do Maranhão.
Durante a Guerra do Paraguai (1865-1866), participou do batalhão de engenheiros. De volta ao Rio por motivos de saúde, atuou em obras portuárias, foi diretor das Docas da Alfândega (atual Praça XV) e responsável pela construção das Docas de Pedro II, ao lado do Cais do Valongo.
Rebouças também se destacou como defensor da abolição da escravatura, propondo medidas de educação para ex-escravizados e sua integração econômica.
Patrimônio e símbolo da resistência negra
O edifício Docas Dom Pedro II, construído em 1871 sem uso de mão de obra escravizada, é considerado um marco da engenharia nacional e um símbolo da resistência negra. Tombado pelo Iphan em 2016, integra a região conhecida como Pequena África, local simbólico da Diáspora Africana no Brasil e referência para a comunidade afrodescendente.
Além de seu valor histórico e etnográfico, o prédio é reconhecido como símbolo da luta pela equidade de direitos e oportunidades. A obra projetada por Rebouças marcou a modernização dos portos brasileiros e a evolução das técnicas de construção no país.
Biografia resumida
André Pinto Rebouças nasceu em Cachoeira, Bahia, em 3 de janeiro de 1838, filho de Antônio Pereira Rebouças, advogado e deputado, e Carolina Pinto Rebouças. Seu legado abrange a engenharia, o ativismo social e a luta antirracista, tornando-o referência histórica na valorização da contribuição negra para o Brasil.
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