Criado em 1996 por estudantes e músicos, o tradicional bloco de rua Cordão do Boitatá comemora 30 anos de carnaval nesta segunda-feira (19), com um ensaio geral no Circo Voador, reunindo suas orquestras de rua e de palco. A celebração marca também a homenagem aos padroeiros do bloco: o compositor Pixinguinha, patrono da Orquestra de Rua do Cordão, e São Sebastião, padroeiro da cidade do Rio de Janeiro, celebrado na mesma data.
No carnaval de 2026, o Cordão do Boitatá fará sua estreia no Circuito Preta Gil, novo nome do trajeto destinado aos desfiles dos megablocos no centro da capital fluminense. O cortejo acontece no dia 8 de fevereiro, com concentração na Rua Primeiro de Março, seguindo pela Avenida Presidente Antônio Carlos até a dispersão na Rua Araújo Porto Alegre.
O circuito foi batizado em homenagem à cantora Preta Gil, falecida em julho do ano passado, após luta contra um câncer de intestino. No domingo seguinte ao desfile (15), o Cordão promove o seu tradicional 20º Baile Multicultural, na Praça XV, com a presença de bonecos gigantes, estandartes e cortejo popular.
Decisão conjunta
De acordo com o diretor musical do Cordão do Boitatá, Kiko Horta, a entrada no circuito dos megablocos foi resultado de uma decisão conjunta entre a agremiação e a Prefeitura do Rio, por meio da Riotur, após o crescimento expressivo do bloco ao longo dos anos.
Com uma orquestra formada por mais de 250 músicos e público que já ultrapassou 40 mil foliões, o Cordão enfrentava dificuldades para desfilar em ruas estreitas. O uso de drones no carnaval de 2025 ajudou a comprovar a dimensão do bloco, consolidando sua inclusão no circuito.
Homenagens e identidade
No carnaval 2026, o Cordão do Boitatá presta homenagem a importantes nomes da música brasileira, como Hermínio Bello de Carvalho e Hermeto Pascoal. Embora não haja uma fantasia oficial, a expectativa é de que os foliões levem mensagens críticas e criativas, refletindo acontecimentos recentes do Brasil e do mundo.
A alegoria central do bloco segue sendo a serpente de fogo do Boitatá, figura da mitologia brasileira que simboliza a proteção da natureza. No carnaval, a imagem representa também a defesa da cultura popular e do carnaval de rua.
Patrimônio cultural
Em 2022, o Cordão do Boitatá e o Baile Multicultural foram reconhecidos como Patrimônios Culturais Imateriais do Estado do Rio de Janeiro, reafirmando sua relevância como espaço democrático, artístico e popular da cultura carioca.
A expectativa é que o desfile no circuito dos megablocos amplie ainda mais o público, atraindo tanto os foliões tradicionais quanto novos participantes.
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