Os delegados da 5ª Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial (Conapir), reunidos em Brasília, apresentam nesta sexta-feira (19) o documento final com as diretrizes que serão encaminhadas ao governo federal. As propostas resultam de debates que envolveram 2 mil participantes de todo o país e defendem políticas públicas voltadas para igualdade racial, reparação histórica, democracia e justiça social.
Durante os dias de encontro, foram discutidas 740 propostas surgidas em conferências municipais, estaduais e regionais. As votações em plenária ajustaram os textos de forma coletiva para refletir as demandas da sociedade.
A programação também foi marcada por manifestações culturais e reivindicações. Comunidades de terreiro levaram cânticos e símbolos da ancestralidade afro-brasileira, enquanto capoeiristas pediram que a prática seja inserida nos currículos escolares como parte da valorização cultural.
A diversidade de vozes se destacou: povos ciganos denunciaram invisibilidade social; mães negras relataram o medo do racismo estrutural contra seus filhos; assistentes sociais e trabalhadores domésticos cobraram valorização profissional; povos indígenas exigiram inclusão no Estatuto da Igualdade Racial; e representantes do movimento LGBTQIA+ destacaram a luta por espaço e representatividade.

Histórias de vida emocionaram os participantes, como a da estudante Marta Lúcia, de Niterói (RJ), que levou o filho de seis meses à conferência, e a da assistente social Luana Evanderlina, de 74 anos, que relatou quatro décadas de combate ao racismo na Baixada Fluminense.
Para muitos delegados, a Conapir é um espaço de resistência e esperança. “O Brasil é um país negro. Esse legado é nosso, porque quem fez esse país foi o povo preto”, destacou Luana Evanderlina.
A conferência homenageou a socióloga e ex-ministra Luiza Bairros e encerra reafirmando a luta coletiva por um país mais justo, plural e igualitário.
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