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Cinema brasileiro volta ao Oscar e vive expansão na produção, mas enfrenta desafios de público

Após vitória de Ainda Estou Aqui, país disputa premiação com O Agente Secreto enquanto setor registra recorde de investimentos e produção.

redação Por redação
15/03/2026 - 08:10
em Cultura
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Cinema brasileiro volta ao Oscar com O Agente Secreto após vitória de Ainda Estou Aqui. Produção cresce com recorde de investimentos, mas público ainda é desafio.

Imagem:Victor Jucá/Divulgação

Às vésperas de mais uma edição do Oscar, o cinema brasileiro volta a ganhar destaque internacional. Após a vitória histórica de Ainda Estou Aqui como melhor filme internacional no ano passado, o país retorna à disputa com O Agente Secreto, indicado em quatro categorias.

Dirigido por Walter Salles e estrelado por Fernanda Torres, Ainda Estou Aqui superou 5,8 milhões de espectadores nos cinemas brasileiros, tornando-se um dos maiores sucessos de público da história do cinema nacional.

Já O Agente Secreto, dirigido por Kleber Mendonça Filho e protagonizado por Wagner Moura, também alcançou grande repercussão nas salas de exibição, ultrapassando 2,5 milhões de ingressos vendidos no país e reforçando o debate sobre o espaço do cinema brasileiro no mercado.

O desempenho desses longas nas premiações e nas bilheterias cria a percepção de um momento favorável para o audiovisual brasileiro. Especialistas, no entanto, apontam que os resultados ainda convivem com desafios estruturais, especialmente na relação entre produção e público.

Recorde de investimentos no audiovisual

Dados da Agência Nacional do Cinema (Ancine) indicam que o setor vive um período de forte expansão na produção. Em 2025, o audiovisual brasileiro registrou R$ 1,41 bilhão em recursos públicos desembolsados — o maior volume da série histórica.

O montante representa crescimento de 29% em relação a 2024 e de 179% na comparação com 2021. Atualmente, 1.556 projetos audiovisuais estão em execução com apoio direto da agência, enquanto outros 3.697 encontram-se em fase de captação ou contratação de recursos.

No mesmo ano, o país registrou 3.981 obras audiovisuais não publicitárias, estabelecendo um novo recorde de produção.

Grande parte desse impulso vem do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), principal mecanismo de financiamento do setor, responsável por apoiar filmes, séries, infraestrutura e formação profissional. Apenas na modalidade de investimento direto, o fundo contratou R$ 564 milhões em 2025.

O aumento do financiamento público contribuiu para ampliar a produção, gerar empregos e fortalecer a presença internacional do audiovisual brasileiro.

Desafio de alcançar o público

Apesar do crescimento na produção, os números de audiência indicam dificuldades para muitos filmes nacionais chegarem ao público.

Levantamento do portal especializado Filme B aponta que as produções brasileiras exibidas nos cinemas em 2025 somaram 11,9 milhões de espectadores. No entanto, quase metade desse público foi gerada por filmes lançados no ano anterior.

Entre os 203 títulos nacionais lançados em 2025, apenas sete concentraram 73% do total de espectadores. Ao mesmo tempo, 111 filmes — mais da metade — não alcançaram mil espectadores nas salas de cinema.

A média de público por produção foi de apenas 719 pessoas. Para analistas do setor, o contraste evidencia um dos principais desafios da cadeia audiovisual brasileira: a distância entre produção e distribuição.

Segundo o exibidor e consultor de mercado Rodrigo Saturnino Braga, os investimentos destinados à realização de filmes não são acompanhados por recursos equivalentes voltados à comercialização e ao lançamento dessas obras.

Cota de tela busca ampliar espaço para filmes nacionais

Uma das políticas utilizadas para ampliar a presença do cinema brasileiro nas salas é a chamada cota de tela, prevista na Lei 14.815 de 2024, que prorrogou a política até 2033.

A regulamentação mais recente determina que cinemas comerciais do país reservem um número mínimo de sessões ou dias de exibição para produções brasileiras. A exigência varia conforme o número de salas de cada complexo exibidor e também estabelece limites para evitar que um único filme ocupe toda a cota.

A medida busca equilibrar um mercado historicamente dominado por grandes lançamentos estrangeiros e ampliar a diversidade de títulos nacionais em cartaz.

Cinema, cultura e identidade

Para Silvia Cruz, diretora da distribuidora Vitrine Filmes, responsável pelo lançamento de O Agente Secreto no Brasil, o sucesso recente de produções nacionais reflete uma mudança na relação do público com a cultura.

Segundo ela, o filme gerou mobilização espontânea nas redes sociais e chegou a inspirar fantasias durante o Carnaval, ampliando a visibilidade da obra dentro e fora do país.

A executiva também destaca que a retomada das políticas públicas de incentivo foi decisiva para o momento atual do setor.

Nos últimos anos, o audiovisual brasileiro passou por um período de enfraquecimento institucional, mas voltou a receber investimentos e planejamento estratégico, o que ajudou a recolocar o país nos principais festivais e premiações internacionais.

Além do impacto cultural, Silvia Cruz ressalta que o setor também movimenta a economia e gera empregos. Para ela, o crescimento do audiovisual contribui para fortalecer a identidade cultural brasileira e ampliar o reconhecimento do país no cenário global.

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Tags: #AindaEstouAqui#Ancine#CinemaBrasileiro#CinemaNacional#CulturaBrasileira#OAgenteSecretoaudiovisualOSCAR
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