A celebração do Dia de São Jorge, nesta quarta-feira (23), volta a reunir manifestações inter-religiosas no bairro Partenon, em Porto Alegre. Pelo terceiro ano consecutivo, o evento promove a integração entre fiéis da Igreja Católica e de religiões de matriz africana.
Enquanto missas são realizadas na Igreja de São Jorge, do lado de fora os participantes recebem bênçãos de integrantes da Sociedade Beneficente Cultural Oxum e Oxalá, por meio da Família Yecari. O grupo atua há mais de duas décadas com ações comunitárias na capital gaúcha.
Segundo os organizadores, milhares de pessoas devem passar pelo local ao longo do dia, participando das diferentes manifestações de fé.
Integração entre crenças
O 3º Ato Inter-religioso é conduzido pelo líder religioso Pai Ricardo de Oxum, em parceria com o padre Sérgio Belmonte.
De acordo com Pai Ricardo, a celebração simboliza a resistência histórica das religiões de matriz africana, que durante muito tempo recorreram ao sincretismo religioso para expressar sua fé.
Nesse contexto, São Jorge é associado ao orixá Ogum, enquanto Nossa Senhora dos Navegantes se relaciona com Iemanjá — exemplos clássicos de sincretismo no Brasil.
Combate à intolerância religiosa
A proposta do evento é promover o respeito às diferentes tradições e incentivar o diálogo entre crenças. Para os organizadores, iniciativas como essa ajudam a combater preconceitos históricos e fortalecer a convivência entre religiões.
Pai Ricardo destaca que o Rio Grande do Sul concentra um dos maiores números de praticantes de religiões de matriz africana no país, e que ações inter-religiosas são importantes para ampliar a compreensão sobre essas tradições.
Programação
A programação começa às 8h com o tradicional banho de cheiro realizado pela Família Yecari e segue ao longo do dia com rituais, bênçãos e celebrações.
O encerramento está previsto para 18h30, após uma procissão ao redor da igreja e a lavagem simbólica das escadarias da paróquia, rito que representa purificação e renovação espiritual.
Tradição do Batuque
O Batuque é uma das principais expressões religiosas de matriz africana no estado, com raízes em povos da Guiné, Benin e Nigéria.
A prática é centrada no culto a orixás como Oxalá, Ogum, Iansã, Xangô, Oxum e Iemanjá, entre outros, e possui identidade própria, distinta de religiões como umbanda e candomblé.
Devoção popular
Tanto no catolicismo quanto nas religiões de matriz africana, São Jorge é considerado símbolo de coragem e força. A data mobiliza milhares de fiéis em todo o Brasil.
A devota Roseli Debem Sommer, integrante da Família Yecari, conta que cresceu na tradição católica e encontrou na espiritualidade de matriz africana uma continuidade da fé.
Para ela, o “santo guerreiro” representa proteção e força diante das dificuldades da vida, mantendo viva uma devoção que atravessa diferentes crenças.
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