O 14º Festival Artes Vertentes teve sua abertura marcada por tambores e cantos, conduzidos pelo Congado Nossa Senhora do Rosário e Escrava Anastácia, que percorreram as ruas de Tiradentes (MG) convidando o público a conhecer a programação do evento. Entre os dias 11 e 21 de setembro, serão realizadas 54 atividades, incluindo exposições, apresentações de teatro, música, cinema e literatura.
A edição de 2025 tem como tema “Entre as margens do Atlântico”, promovendo um diálogo cultural entre América, África e Europa. A programação também integra a Temporada da França no Brasil, que acontece até o final do ano em 15 cidades brasileiras, com o objetivo de aproximar os dois países por meio da cultura.
Memória e resistência
O Mestre Prego, responsável pela abertura do festival, destacou que o congado representa a força do povo negro e homenageia cerca de 22 mil pessoas escravizadas que trabalharam na região. “É uma cantiga de alegria e de dor, que lembra nosso povo hoje é lembrado”, afirmou. Segundo ele, a prática cultural mantém viva a história daqueles que tiveram sua memória apagada.
Arte contemporânea em diálogo com a história
De acordo com Luiz Gustavo Carvalho, curador e diretor artístico do festival, o Artes Vertentes conecta diversas linguagens artísticas e promove reflexão sobre narrativas urgentes. A cidade histórica de Tiradentes, fundada em 1702, oferece o cenário ideal, integrando o patrimônio arquitetônico e cultural à programação.
Maria Vragova, diretora executiva do evento, reforça a importância de realizar o festival fora das capitais, promovendo troca cultural entre artistas locais, regionais, nacionais e internacionais.
Atrações e programação internacional
A abertura contou ainda com apresentações da Ação Cultural Artes Vertentes, que desde 2013 oferece cursos gratuitos de música, artes visuais, cerâmica e fotografia para crianças, adolescentes e adultos de Tiradentes.
Entre as atrações internacionais, destacam-se a poeta e fotógrafa Wendie Zahibo, de Guadalupe e França, e o poeta e dramaturgo Jean D’Amérique, do Haiti. A programação em cidades vizinhas, como São João del Rei e Bichinho, inclui mostras de cinema que abordam memória, ancestralidade e resistência.
Anne Louyot, comissária-geral da Temporada França-Brasil, ressalta a importância da influência africana nas artes e na cultura contemporânea, reconhecendo o legado histórico e a riqueza artística que atravessa continentes.
O festival segue até 21 de setembro, com grande parte das atividades gratuitas. Mais informações podem ser conferidas no site oficial: artesvertentes.com.
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