O Centro Cultural da Fafi, localizado na Praça Ubaldo Ramalhete, no Centro de Vitória, ganhou ritmo e alegria com o projeto “Nosso Corpo Também Dança”, voltado aos pacientes dos Centros de Atenção Psicossocial (Caps). A iniciativa busca promover o bem-estar e a conexão com o próprio corpo por meio da dança, unindo arte, cultura e saúde mental.
Idealizado pela musicoterapeuta Djaldea Felix Fernandes, do Caps Álcool e Drogas (Caps AD), o projeto nasceu da ideia de utilizar o movimento como uma forma de expressão e de fortalecimento emocional.
“As pessoas com quem trabalhamos enfrentam muitas dificuldades, e a dança surge como uma forma de reconectar corpo, mente e espírito. A música e o movimento ajudam a resgatar a beleza da vida, de estar consigo mesmo e com o outro. Esse projeto é sobre ajudar cada um a tomar posse do próprio corpo e reencontrar sentido e presença na vida”, explicou Djaldea Fernandes.
Ritmos e expressividade
Durante os encontros, os participantes exploram diferentes ritmos brasileiros, como forró, samba, maculelê e MPB, vivenciando momentos de alegria e descontração enquanto exercitam o corpo e a mente.
Atualmente, 15 pacientes participam das aulas. O projeto está em sua primeira edição e prevê cinco encontros por trimestre, com a expectativa de continuidade ao longo do ano.
Na última sexta-feira (10), foi realizada a terceira aula do primeiro ciclo, conduzida pelo professor Ruan Sodré, mestre em Educação Física pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).
“É uma forma de exercício para a mente e para as emoções, mostrando que a dança vai além do corpo. Ela abre novas possibilidades, ajuda os pacientes a redescobrirem movimentos, se relacionarem uns com os outros e pensarem em novas formas de viver. Quero que se vejam como artistas, capazes de criar, sentir e se expressar”, afirmou Ruan Sodré.
Histórias que inspiram
Entre os participantes, Sônia Maria Moreira Abreu, de 61 anos, destaca o entusiasmo com a atividade. “Sempre gostei de dançar, sou da época da discoteca e, mesmo nessa idade, gosto de me expor a novas experiências. Participar deste projeto tem sido muito bom, uma experiência que quero levar para a vida”, contou.
O escritor Felipe Chagas De Mar, de 35 anos, também compartilhou sua experiência: “Eu gosto muito de arte, então qualquer forma artística me chama atenção. Estar aqui para dançar é maravilhoso! Tudo isso é arte, e como artista, me sinto em casa.”
Durante as aulas, os alunos participam de alongamentos, rodas de conversa e trocam experiências sobre a importância da música no bem-estar. Entre os artistas preferidos do grupo estão Zeca Pagodinho, Amado Batista, Raça Negra e Pabllo Vittar.
Inclusão e cuidado
A diretora do Caps AD, Elaine Freitas, ressalta o papel transformador da iniciativa.
“Esse projeto foi pensado para oportunizar novas experiências às pessoas com agravos em saúde mental, não apenas relacionadas ao uso de álcool e outras drogas, mas também a transtornos mentais em geral. É um projeto piloto, que busca, por meio da música e da dança, abrir caminhos para que essas pessoas participem de espaços de convivência coletiva, com arte, cultura e integração”, destacou.
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