No coração da Grande São Pedro, em Vitória (ES), um projeto comunitário que une criatividade, inclusão social e geração de renda conquistou reconhecimento nacional. O “Projeto de Costura”, desenvolvido pelo Circuito Cultural de Vitória no Centro de Artes e Esportes Unificados (CEU) da região, foi selecionado entre os 45 finalistas do Edital de Boas Práticas dos CEUs das Artes, promovido pelo Ministério da Cultura (MinC).
A iniciativa, que utiliza a costura como ferramenta de transformação social, vem impactando a comunidade desde 2018. Ao longo desse período, mais de 800 pessoas foram beneficiadas, entre crianças, adolescentes e mulheres, fortalecendo vínculos comunitários e ampliando oportunidades de aprendizado e autonomia financeira.
Atualmente, o projeto atende 40 crianças com idades entre 8 e 16 anos e mais de 120 mulheres. As oficinas oferecem um espaço acolhedor de criação e pertencimento, onde, além da produção de peças, surgem novas perspectivas de vida e inclusão social.
Os vencedores do edital serão anunciados nos dias 13 e 14 de maio, durante o 2º Encontro Nacional Territórios da Cultura, em Brasília, quando 20 iniciativas de todo o país receberão reconhecimento. A divulgação também ocorrerá no site oficial do Ministério da Cultura e por meio de transmissão ao vivo no canal da instituição no YouTube.
Para o coordenador do Circuito Cultural de Vitória, Maycon Moraes do Nascimento, a seleção do projeto representa a valorização de iniciativas que nascem nas periferias e transformam realidades. Segundo ele, o reconhecimento amplia a visibilidade das ações culturais e reforça seu papel na inclusão social e no fortalecimento comunitário.
Origem e desenvolvimento do projeto
À frente das oficinas está a oficineira Jupiara Francisco Cruz da Silva, idealizadora do projeto. A iniciativa surgiu a partir de uma observação sensível: muitas mães aguardavam os filhos durante as atividades culturais do Circuito, como capoeira e dança. A partir desse cenário, Jupiara decidiu convidá-las a participar de oficinas de costura, transformando o tempo de espera em uma oportunidade de aprendizado e geração de renda.
Inicialmente realizado de forma independente e voluntária, com o uso de máquinas próprias da oficineira, o projeto ganhou força ao longo dos anos e se consolidou como política pública cultural. Em 2024, a Prefeitura Municipal de Vitória estruturou um espaço adequado, equipado com mais de 15 máquinas de costura, ampliando a capacidade de atendimento e fortalecendo a iniciativa.
Metodologia e impacto social
A metodologia adotada é prática, participativa e inclusiva, com foco no desenvolvimento da criatividade, no aprendizado de técnicas de costura e no fortalecimento da autonomia dos participantes. O projeto promove não apenas a qualificação profissional, mas também o fortalecimento da autoestima e dos laços comunitários.
Acessibilidade e inclusão
Realizado no CEU da Grande São Pedro, o projeto conta com infraestrutura acessível, incluindo rampas de acesso, elevador e banheiros adaptados, garantindo a participação de pessoas com mobilidade reduzida. A iniciativa também contempla a inclusão de pessoas com deficiência, com práticas pedagógicas adaptadas às necessidades individuais de cada participante.
As vagas são ofertadas de acordo com a capacidade do espaço e vêm sendo ampliadas gradualmente. Está prevista a abertura de novas turmas no segundo semestre de 2026, ampliando ainda mais o alcance do projeto e as oportunidades para novos beneficiários.
Cultura como instrumento de transformação
Com uma abordagem acolhedora e inclusiva, o Projeto de Costura segue alinhavando sonhos e possibilidades, demonstrando como a cultura pode atuar como um poderoso instrumento de transformação social. A seleção como finalista em um edital nacional reforça a importância de políticas públicas voltadas ao fortalecimento das comunidades e à promoção da cidadania.
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