A Secretaria da Justiça do Espírito Santo (Sejus) inaugurou nesta segunda-feira (15) um novo espaço voltado ao acolhimento de crianças durante as visitas sociais no Centro Prisional Feminino de Cachoeiro de Itapemirim (CPFCI). A iniciativa faz parte do projeto Maternar e Brincar, que busca fortalecer os vínculos familiares e contribuir para a ressocialização das mulheres privadas de liberdade.
O ambiente recebeu brinquedos, escorregadores, tapetes recreativos e outros equipamentos destinados a proporcionar momentos de convivência mais humanizados entre mães e filhos. O investimento total foi de R$ 149 mil, financiado por meio do Fundo Rotativo do Sistema Penitenciário (FRSP).
A proposta tem como foco oferecer mais conforto e acolhimento às crianças que visitam familiares em unidades prisionais, tornando o ambiente menos impactante e favorecendo o fortalecimento dos laços afetivos.
O projeto Maternar e Brincar surgiu no Centro Prisional Feminino de Cariacica, onde recebeu reconhecimento após conquistar o Prêmio Inoves 2020 por ações voltadas à proteção da primeira infância.
Com os resultados alcançados, a iniciativa passou a integrar oficialmente as políticas institucionais da Sejus e será expandida para outras unidades femininas do sistema prisional capixaba. Além de Cachoeiro de Itapemirim, os espaços também serão implantados no Centro Prisional Feminino de Colatina e na ala feminina da Penitenciária Regional de São Mateus.
O secretário de Estado da Justiça, Nelson Merçon, destacou que a medida reforça o compromisso com um sistema prisional mais humanizado e alinhado às diretrizes de ressocialização.
Segundo ele, as crianças não possuem qualquer responsabilidade pelos atos praticados por suas mães e devem ser recebidas em ambientes adequados, seguros e preparados para proporcionar uma convivência saudável.
A diretora do Centro Prisional Feminino de Cachoeiro de Itapemirim, Mikeli Patta Catein, ressaltou que a unidade recebe cerca de 50 visitantes por semana, incluindo um número significativo de crianças.
De acordo com a gestora, a criação do espaço recreativo reduz a tensão normalmente associada ao ambiente prisional e permite momentos mais positivos de interação entre mães e filhos.
A expectativa é que a iniciativa contribua para a manutenção dos vínculos afetivos e para o fortalecimento da rede de apoio familiar das internas, fatores considerados importantes para o processo de reintegração social.
A ampliação do projeto foi viabilizada com recursos do Fundo Rotativo do Sistema Penitenciário, abastecido por parte da remuneração recebida pelas pessoas privadas de liberdade que exercem atividades laborais dentro do sistema.
Pelas regras atuais, o valor recebido pelos internos é dividido em quatro partes iguais: uma destinada ao próprio custodiado, outra para uma conta de poupança individual, uma terceira para familiares indicados e a última para o Fundo Rotativo.
Segundo a Sejus, os recursos arrecadados retornam ao sistema penitenciário na forma de investimentos em infraestrutura, aquisição de equipamentos, manutenção das unidades e desenvolvimento de projetos voltados à segurança, assistência social e ressocialização.
A iniciativa reforça a política de valorização do trabalho prisional e demonstra como os recursos gerados podem ser revertidos em benefícios para a população carcerária e seus familiares.
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