Mesmo com o tempo instável, dezenas de pessoas passaram pela Praça do bairro Eucalipto, em Maruípe, Vitória, para participar de uma mobilização do Outubro Rosa. A iniciativa destacou a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do tratamento dos cânceres de mama e do colo do útero. Organizada pela rede intersetorial de Maruípe, a atividade reuniu moradores, profissionais dos serviços socioassistenciais e representantes das áreas de Saúde e Assistência Social.
Uma das participantes foi Maria da Penha Menon, de 67 anos. Moradora de Nova Venécia, ela havia acabado de realizar uma sessão de tratamento contra um câncer na uretra e decidiu acompanhar a mobilização ao lado da cuidadora Marina Azevedo. Maria contou que sempre buscou cuidar da saúde e realizar exames, mas ficou cerca de dois anos sem manter o acompanhamento médico. “Me descuidei e aí comecei a sentir dores de cabeça e logo procurei ajuda médica. Após os exames, foi detectado. Sempre tive acesso a informações sobre a doença e sempre busquei ajuda médica”, relatou.
A mobilização também chamou a atenção de Débora de Jesus, de 44 anos, que está há um ano em tratamento contra o câncer de mama. Para ela, iniciativas como essa ajudam a levar informação às mulheres e oferecem apoio a quem enfrenta a doença. “É uma forma incrível de apoiar quem está passando por um tratamento e alertar outras mulheres sobre a necessidade do autoexame”, afirmou. Segundo Débora, participar da atividade também trouxe mais ânimo para continuar a viagem de volta para Venda Nova do Imigrante. “A gente sai daqui mais leve, mais animada”, disse.
O evento contou com a participação de representantes das secretarias municipais de Saúde e Assistência Social, além da Associação Feminina de Combate ao Câncer (Afecc). Durante a programação, a subsecretária de Atenção à Saúde, Patrícia Rocha Vedova Pirola, anunciou a criação do Programa de Navegação do Paciente Oncológico. Segundo a Prefeitura, Vitória é o primeiro município do Espírito Santo a contar com uma lei específica para a iniciativa.
O programa prevê o acompanhamento da trajetória de cada paciente na rede de atendimento, buscando facilitar o acesso aos serviços e garantir que o primeiro tratamento seja iniciado em até 60 dias. A proposta também inclui a ampliação da oferta de exames, com previsão de realização de 5 mil mamografias e 3,5 mil ultrassonografias.
Para a coordenadora do Centro de Referência de Assistência Social (Cras) de Maruípe, Juliana Moura, o enfrentamento ao câncer exige a participação integrada de diferentes áreas. “É uma situação que impacta toda a sociedade. A ação reforça a importância do acesso seguro ao conhecimento sobre o próprio corpo e da busca por informações sobre prevenção e exames”, destacou.
A gerente de Atenção à Família, Daniela Colatto, explicou que a atividade faz parte do calendário de ações da Afecc e marca o início das atividades relacionadas ao Outubro Rosa. De acordo com ela, a mobilização também demonstra a importância da atuação conjunta das equipes da Assistência Social, Saúde e outras áreas na proteção das famílias. “É uma atuação que exige a articulação de toda uma rede de garantia de direitos”, afirmou.
A secretária de Assistência Social, Carla Scardua, também reforçou a necessidade de manter a prevenção e o autocuidado no centro das ações de conscientização. Segundo ela, apesar de o tema já fazer parte do cotidiano de muitas mulheres, o aumento dos casos reforça a necessidade de ampliar o acesso à informação e aos serviços de saúde.
Na prevenção do câncer de mama, a avaliação para realização da mamografia deve considerar a faixa etária, os fatores de risco e a orientação de um profissional de saúde. A estratégia de rastreamento também prevê mudanças na faixa etária contemplada pelo acompanhamento preventivo, ampliando o limite para mulheres de até 74 anos.
Dados apresentados durante a mobilização apontam ainda que quase 60% dos casos de câncer de mama estão concentrados entre mulheres de 50 a 74 anos. O envelhecimento é considerado um dos fatores associados ao aumento do risco da doença. No Sistema Único de Saúde (SUS), as mamografias realizadas em mulheres com menos de 50 anos representaram cerca de 30% do total em 2025, ultrapassando 1 milhão de exames.
A ampliação do acesso aos exames busca fortalecer o diagnóstico precoce e o tratamento em tempo oportuno. O câncer de mama é o tipo mais frequente entre as mulheres e está entre as principais causas de morte por câncer nesse público. Por isso, campanhas como o Outubro Rosa procuram estimular a atenção aos sinais, o acompanhamento médico e o acesso regular aos serviços de saúde.
Compartilhe este conteúdo do Giro Capixaba, o melhor site de notícias do Estado do Espírito Santo.
Siga o GIR0 CAPIXABA no Instagram


