Cerca de 300 famílias ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocuparam uma área pertencente à mineradora Samarco no município de Anchieta, localizado no sul do Espírito Santo. A mobilização ocorreu durante a Jornada das Mulheres Sem Terra, movimento nacional que reúne ações simultâneas em diferentes estados do país.
Segundo o movimento, a área ocupada possui aproximadamente 5 mil hectares e representa, na avaliação dos manifestantes, um exemplo de concentração fundiária na região. A ocupação busca pressionar o poder público a avançar em políticas de reforma agrária e garantir o assentamento de famílias que vivem em acampamentos no estado.
A mobilização também tem forte presença feminina. Muitas das participantes são trabalhadoras rurais que defendem políticas de proteção às mulheres do campo e denunciam a violência contra mulheres tanto nas áreas rurais quanto nas cidades.
Durante a ocupação, parte dos manifestantes iniciou a montagem de um acampamento às margens da rodovia ES-16. Enquanto alguns organizavam a infraestrutura do local, outros realizavam atos e manifestações para chamar a atenção das autoridades. Equipes da Polícia Ambiental acompanharam a movimentação na região.
Além da pauta agrária, o movimento também citou os impactos ambientais da mineração e voltou a cobrar responsabilização pelo rompimento da barragem de Fundão, ocorrido em 2015 no município de Mariana, em Minas Gerais. O desastre atingiu o Rio Doce e provocou danos ambientais e sociais em comunidades de Minas Gerais e do Espírito Santo.
De acordo com o MST, o estado possui cerca de 3,5 mil famílias assentadas pela reforma agrária e aproximadamente 1,5 mil famílias ainda vivem em acampamentos aguardando acesso à terra.
Os manifestantes afirmam que pretendem permanecer na área enquanto buscam abrir negociações com o governo federal e com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). A intenção é discutir a destinação da área para projetos de agricultura familiar e agroecologia.
Até o momento, a mineradora Samarco informou que acompanha a situação e que acionou os órgãos competentes para lidar com a ocupação.
Compartilhe este conteúdo do Giro Capixaba, o melhor site de notícias do Espírito Santo.
SIGA O DIÁRIO DA GUANABARA NO INSTAGRAM


