A orla de Copacabana será palco, no próximo dia 26 de julho, da 12ª Marcha das Mulheres Negras do Estado do Rio de Janeiro. A concentração está marcada para as 10h, no posto 2, reunindo mulheres negras de diversas regiões fluminenses em defesa da democracia, contra o racismo e pela reparação histórica.
Integrando a programação do Julho das Pretas, a mobilização traz como tema “Em defesa da democracia, contra o racismo, pela reparação e bem viver”. A expectativa da organização é reunir entre 10 mil e 15 mil participantes vindas de municípios como São Francisco de Itabapoana, Cantagalo, Niterói, Baixada Fluminense e outras localidades do estado.
Além da manifestação, o objetivo é fortalecer a articulação entre lideranças locais para ampliar o debate sobre o enfrentamento ao racismo e incentivar a criação de fóruns municipais voltados à defesa dos direitos da população negra.
Segundo as coordenadoras da marcha, a escolha de Copacabana também possui um forte significado simbólico. O bairro é apontado como um espaço marcado por desigualdades sociais e raciais, onde muitas mulheres negras trabalham diariamente. A ocupação da orla representa, para o movimento, a afirmação do direito da população negra de ocupar todos os territórios da cidade.
Antes da caminhada, a programação prevê a tradicional Oficina de Pirulitos, realizada no Instituto de Pesquisas das Culturas Negras (IPCN), no Centro do Rio. O encontro será dedicado à produção dos cartazes que serão utilizados durante a marcha e também servirá como espaço de formação política, integração e fortalecimento das participantes. A atividade contará ainda com um churrasco colaborativo organizado pelas próprias mulheres.
A organização destaca que esse momento coletivo fortalece os laços de solidariedade e amplia a participação de mulheres de diferentes realidades, garantindo que todas possam contribuir para a construção do movimento.
A Marcha das Mulheres Negras no Rio de Janeiro tem origem na mobilização nacional iniciada em 2011, quando organizações de mulheres negras passaram a articular uma grande manifestação em defesa dos direitos da população negra. O movimento ganhou dimensão nacional em 2015, com a realização da primeira Marcha Nacional das Mulheres Negras, em Brasília, reunindo cerca de 100 mil participantes.
No mesmo ano, foi realizada a primeira edição estadual no Rio de Janeiro. Desde então, a mobilização acontece anualmente, mantendo suas atividades mesmo durante a pandemia de covid-19, quando duas edições ocorreram em formato virtual.
Atualmente, a marcha é considerada um dos principais espaços de articulação política das mulheres negras fluminenses, reunindo representantes de dezenas de municípios.
A manifestação reúne reivindicações relacionadas ao combate ao racismo estrutural, à ampliação de políticas públicas e à promoção da igualdade racial.
Entre as principais bandeiras defendidas pelo movimento estão a reparação histórica, o fortalecimento da democracia, o enfrentamento às desigualdades sociais, o acesso à saúde, educação e trabalho digno, além da defesa da PEC da Reparação, do fim da escala de trabalho 6×1 e da oposição à redução da maioridade penal.
Além do caráter político, a marcha contará com uma programação cultural voltada à valorização da ancestralidade negra. Durante a concentração e o percurso estão previstas apresentações de jongo, samba, manifestações das religiões de matriz africana, feira de artesanato, atividades para crianças e outras expressões culturais ligadas à história e à resistência da população negra.
As organizadoras ressaltam que a cultura afro-brasileira faz parte da identidade do movimento e reforça o sentimento de pertencimento, resistência e fortalecimento coletivo.
Compartilhe este conteúdo do Giro Capixaba, o melhor site de notícias do Estado do Espírito Santo.
Siga o GIRO CAPIXABA no Instagram


