Na Ilha de Marajó, no município de Soure, crianças não brincam apenas com celulares ou videogames: elas nadam e interagem com búfalos em áreas alagadas, aprendendo a adestrar os animais enquanto se refrescam do calor intenso da região.
O búfalo é um ícone do Marajó, que possui o maior rebanho do país, estimado entre 650 mil e 800 mil animais, concentrados principalmente em Soure, Chaves e Cachoeira do Arari. Além de símbolo cultural, o animal está presente na gastronomia, transporte, policiamento e até em estátuas espalhadas pelas ruas.
A Fazenda e Empório Mironga, administrada pela família Gouvêa, transformou a produção de queijo em atração turística. “O turismo hoje responde por dois terços da fazenda. Em setembro, recebemos 400 visitantes, um recorde”, relata Gabriela Gouvêa, presidente da Associação dos Produtores de Leite e Queijo do Marajó. O queijo de búfala, feito com leite cru e técnicas tradicionais, recebeu inspeção oficial em 2013 e, posteriormente, a Indicação Geográfica do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).
O Café Dona Bila, em Soure, une memória afetiva e gastronomia local. Fundado por Lana Correia, o espaço oferece pratos típicos com ingredientes do Pará, como queijo marajoara e carne de búfalo. Entre os destaques, estão tapioca molhada recheada, bolo de milho cremoso e cuscuz recheado. Para a COP30, Lana criou novas receitas que valorizam produtos locais, como o Cuscuz de Murrá, com filé de búfalo, e o Cuscuz Praia do Amor, com camarão regional e queijo do Marajó.
Além do turismo e da gastronomia, a família Gouvêa planeja criar o Centro de Estudos da Bubalinocultura, primeira iniciativa no país voltada à pesquisa de genética, manejo e aproveitamento integral do búfalo, envolvendo áreas como medicina, tecnologia de alimentos e agronomia.
A “Vivência Mironga”, iniciada em 2017, permite que visitantes conheçam o cotidiano da fazenda, a produção de queijo artesanal e práticas agroecológicas, unindo lazer e educação.
Apesar da importância cultural e econômica do búfalo, há desafios ambientais. A pecuária é responsável por significativa emissão de gases do efeito estufa, e a criação de búfalos, assim como outros bovinos, contribui com metano (CH₄), o que será um ponto central no futuro Centro de Estudos da Bubalinocultura.
A experiência marajoara mostra como tradição, turismo, gastronomia e sustentabilidade podem se integrar, fortalecendo a cultura local e atraindo novas oportunidades de negócio.
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