As trajetórias de pessoas, movimentos sociais e organizações que marcaram a defesa dos direitos humanos no Espírito Santo agora fazem parte de um registro histórico. Foi lançado, na noite de quinta-feira (25), no Palácio da Cultura Sônia Cabral, em Vitória, o livro “Direitos Humanos no Espírito Santo: resistências, lutas e sujeitos históricos”.
A publicação foi organizada pela deputada estadual Camila Valadão (Psol), presidente da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales), em parceria com as pesquisadoras Camila Taquetti e Ana Targina.
A obra reúne 16 artigos e três entrevistas produzidos por 55 autores, entre pesquisadores, lideranças comunitárias, militantes e representantes de organizações da sociedade civil. Os textos abordam diferentes momentos da luta por direitos no estado, registrando experiências de enfrentamento ao racismo, conflitos fundiários, defesa de comunidades quilombolas, direitos das mulheres, povos indígenas, pessoas atingidas pelo desastre do Rio Doce e outras causas sociais.
Durante o lançamento, Camila Valadão destacou que o livro nasceu a partir do trabalho desenvolvido pela Comissão de Direitos Humanos da Ales e dos diálogos construídos com diversos segmentos da sociedade ao longo dos últimos anos.
Segundo a parlamentar, a publicação busca preservar a memória das mobilizações sociais e mostrar que a conquista de direitos é resultado da organização popular e da atuação coletiva.
Ela ressaltou que o conteúdo reúne relatos de pessoas que participaram diretamente das lutas por justiça social e enfrentamento das violações de direitos humanos no Espírito Santo.
Uma das organizadoras da obra, Camila Taquetti afirmou que o livro representa um importante legado para pesquisadores, estudantes e movimentos sociais, defendendo que o material esteja disponível em bibliotecas, universidades e instituições de ensino de todo o estado.
Já Ana Targina destacou que registrar essas histórias significa preservar experiências marcadas por resistência e coragem, evitando que importantes capítulos da história capixaba sejam esquecidos.
Além de retratar movimentos sociais, a publicação também apresenta a atuação da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos da Assembleia Legislativa.
A vice-presidente do colegiado, deputada Iriny Lopes (PT), autora do prefácio da obra, destacou que o trabalho da comissão vai além da análise de denúncias, incluindo a elaboração de leis, o acompanhamento de conflitos sociais e a presença constante junto às comunidades.
O livro também apresenta dados sobre a atuação do colegiado entre 2023 e 2025. Nesse período, foram registrados 326 atendimentos relacionados a denúncias e pedidos de acompanhamento envolvendo violência policial, sistema prisional, conflitos fundiários, racismo, LGBTQIAPN+fobia e violações contra crianças, adolescentes e outros grupos vulneráveis.
Entre os capítulos da publicação está o texto da advogada e militante Verônica Bezerra, que resgata a atuação de organizações de direitos humanos no Espírito Santo diante de graves violações registradas ao longo das últimas décadas.
Para a autora, preservar essa memória é fundamental para que as futuras gerações compreendam o caminho percorrido pelos movimentos sociais e possam dar continuidade à defesa dos direitos humanos.
Com o lançamento, o livro passa a integrar o patrimônio documental sobre as mobilizações sociais capixabas, reunindo histórias que ajudam a compreender a construção da cidadania e da democracia no Espírito Santo.
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