O Bloco do Saci e o Programa Rosas no Caminho promoveram, nesta terça-feira (20), feriado dedicado a São Sebastião, padroeiro da cidade do Rio de Janeiro, a segunda lavagem da Escadaria Baden Powell, em Copacabana. A primeira edição do evento foi realizada em 2025 e marcou o início de uma tradição que une cultura popular, religiosidade e carnaval.
A cerimônia também homenageia o orixá Oxóssi, que no sincretismo religioso afro-brasileiro é associado a São Sebastião. A ligação entre as duas figuras se dá pelo símbolo do arco e flecha. Oxóssi, rei das matas, da caça, da fartura e do conhecimento, representa a abundância, a inteligência para alcançar objetivos e a cura. Já São Sebastião é símbolo de fé, resistência e proteção contra doenças e injustiças. Celebrados no dia 20 de janeiro, ambos expressam a busca por proteção, prosperidade e conexão com a natureza e a sabedoria ancestral.
A Escadaria Baden Powell é um vibrante mosaico de arte urbana feito com azulejos, espelhos e cerâmicas reaproveitadas. A obra foi criada pelos artistas Júlio Pedroso e Pablo Aníbal Romero Cardozo a partir de cacos recolhidos do lixo. Localizada ao lado da Sala Municipal Baden Powell, na Avenida Nossa Senhora de Copacabana — onde antes funcionava o Cine Ricamar —, a escadaria também é conhecida como Escadaria AmoRal, junção das palavras amor e moral.
O ritual de lavagem foi conduzido por baianas, que utilizaram água de cheiro e pétalas de flores, acompanhadas por ogãs, figuras masculinas de grande importância nos terreiros de candomblé e umbanda, responsáveis pela condução musical dos rituais com o toque dos atabaques. A cerimônia contou com a supervisão e o axé da yalorixá Alba de Oyá e se consolidou como uma homenagem às religiões de matriz africana.
Após a lavagem, um cortejo formado por baianas, batuqueiros e foliões seguiu em direção à Praça Manoel Campos da Paz, na Rua Barata Ribeiro, esquina com a Rua Inhangá, acompanhado por uma bateria criada especialmente para o evento. “Quem quiser pode trazer seu instrumento para tocar também”, convidou a diretora de arte do bloco, a artista plástica Helenice Dornelles, que também atua como porta-bandeira da agremiação.
A programação desta terça-feira incluiu ainda a escolha do samba-enredo do carnaval 2026 do Bloco do Saci. Três sambas disputam a preferência do público por meio de votação popular. O vencedor receberá uma miniatura do estandarte do bloco, criado por Helenice Dornelles, que traz símbolos como o redemoinho, o cachimbo e a touca do Saci Pererê. Criado há três anos, o Bloco do Saci adota fantasia livre e reforça sua proposta de celebrar diversidade cultural, religiosidade e alegria carnavalesca.
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