A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) confirmou nesta segunda-feira (3) que um fungo comumente encontrado em fezes de aves — como pombos — e de morcegos foi identificado em uma das amostras colhidas durante a investigação do surto que atingiu o Hospital Santa Rita, em Vitória. O episódio já levou 93 pessoas a apresentarem sintomas respiratórios, sendo cinco internadas e outras 88 em monitoramento.
O Laboratório Central do Espírito Santo (Lacen/ES) enviou 11 amostras de sangue de funcionários à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Segundo o diretor do Lacen, Rodrigo Rodrigues, apenas uma delas testou positivo para o fungo Histoplasma, responsável pela histoplasmose. O resultado, contudo, ainda não é considerado conclusivo.
“O quadro clínico é compatível com infecção por esse fungo, mas o resultado não encerra a investigação”, afirmou Rodrigues.
O secretário de Saúde, Tyago Hoffman, reforçou que o achado é coerente com os sintomas observados e com o fato de não haver transmissão direta entre pessoas.
“Nos testes de sangue, em uma das 11 amostras encontramos o Histoplasma, um fungo normalmente advindo de fezes de morcegos ou aves. Isso faz sentido pela apresentação clínica e pela ausência de contágio pessoa a pessoa”, explicou.
Como ocorre a infecção
O Histoplasma capsulatum infecta pelo ar, quando seus esporos são inalados. Em pessoas saudáveis, costuma causar um quadro leve, semelhante a uma pneumonia. Pacientes com imunidade comprometida — como os internados na ala oncológica do Santa Rita — têm risco maior de desenvolver formas mais graves.
A infectologista do Hospital Santa Rita, Carolina Salume, explicou que falhas estruturais podem ter contribuído.
“Pode ter havido uma vedação ineficiente, permitindo que os esporos entrassem pela janela. Vamos investigar, mas é possível que tenham vindo do ar”, disse.
Situação clínica dos casos
Dos 93 casos suspeitos:
- 76 são trabalhadores do hospital,
- 11 são acompanhantes,
- 6 são pacientes que estavam no local para outros tratamentos.
Cinco pessoas seguem internadas — duas na UTI e três na enfermaria. Quatro são funcionários e uma é paciente.
O Hospital Santa Rita é referência em tratamento oncológico no Espírito Santo e atende públicos do SUS e da rede privada.
Amostra de água apresentou bactéria, mas sem relação com o surto
Durante a investigação, uma amostra ambiental de água de um bebedouro isolou a bactéria Burkholderia. No entanto, o Lacen descartou relação direta com o surto, já que nenhum paciente testou positivo e novas coletas deram negativo.
“A Burkholderia causa infecções mais graves do que as observadas. Como só apareceu em uma amostra ambiental, é improvável que tenha ligação com os casos”, esclareceu Rodrigues.
Como o caso começou
Os primeiros sintomas apareceram em 19 de outubro, quando funcionários da ala oncológica passaram a apresentar febre, tosse e mal-estar. Como não havia indícios de transmissão entre pessoas, a principal hipótese passou a ser uma fonte ambiental, possivelmente associada a falhas em sistemas de climatização, infiltração ou água.
Mais de 300 patógenos diferentes — entre vírus, fungos e bactérias — estão sendo analisados pelo Lacen/ES e pela Fiocruz para identificar a causa definitiva do surto.
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