Gilbert Wagner Antunes Lopes, conhecido como Waguinho, foi preso nesta terça-feira (14) no bairro Engenho, em Itaguaí, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Ex-integrante da Aeronáutica, ele era procurado pela Justiça do Espírito Santo e foi localizado por policiais civis da 50ª Delegacia de Polícia.
A captura ocorreu após aproximadamente dois meses de monitoramento, diligências e intercâmbio de informações entre os setores de inteligência das polícias civis do Rio de Janeiro e do Espírito Santo.
Segundo a investigação, o trabalho teve início em abril, quando agentes fluminenses receberam informações de que o foragido estaria tentando obter proteção junto a integrantes de um grupo paramilitar que atua na região de Chaperó, em Itaguaí.
A partir desse levantamento, as equipes passaram a acompanhar a movimentação do investigado. De acordo com a polícia, Waguinho utilizava diferentes endereços e circulava por vários municípios do Rio de Janeiro, estratégia que teria sido adotada para dificultar sua localização.
Tentativa de captura em Mangaratiba
Na última sexta-feira (10), os policiais identificaram a presença do investigado em Mangaratiba, na Costa Verde. Ele, no entanto, conseguiu escapar ao se misturar entre as pessoas que participavam de um evento na cidade.
As buscas continuaram durante os dias seguintes. Com novas informações obtidas pelo serviço de inteligência, os agentes conseguiram estabelecer um cerco e prender o ex-militar no bairro Engenho, em Itaguaí.
Contra Gilbert havia um mandado de prisão preventiva expedido pela Justiça capixaba. A decisão menciona a gravidade dos crimes investigados e a suspeita de envolvimento do acusado com um grupo apurado por homicídios, ameaças e outros delitos.
A prisão preventiva é uma medida cautelar e não representa condenação. O investigado deverá ser colocado à disposição da Justiça do Espírito Santo, onde poderá prestar depoimento e apresentar sua versão sobre as acusações.
Investigação sobre morte de vereador
Waguinho é apontado pela Polícia Civil do Espírito Santo como suposto mandante do assassinato do então vereador Marcos Augusto Costalonga. O crime ocorreu em 27 de maio de 2021, em Presidente Kennedy, no litoral sul capixaba.
Segundo a apuração policial, o vereador retornava de uma partida de futebol acompanhado da esposa e de um amigo quando o automóvel em que o grupo estava foi atingido por vários disparos.
Marcos Costalonga morreu no local. Após o ataque, o veículo saiu da estrada e caiu em um barranco. A mulher do parlamentar e o outro ocupante ficaram feridos e precisaram receber atendimento médico.
Os autores dos disparos fugiram sem levar objetos das vítimas. A dinâmica levou os investigadores a trabalhar com a hipótese de uma execução previamente planejada.
Conforme informações atribuídas à delegacia responsável pelo caso, uma das linhas investigativas relaciona o homicídio a uma possível dívida entre o investigado e o vereador. Waguinho nega as acusações e pelos menos em uma ocasião afirmou que não tinha atritos com o parlamentar. Ele também é citado em apurações relacionadas a supostas ameaças.
As acusações ainda dependem de análise judicial e do exercício do direito de defesa. Não há, até o momento, informação de condenação definitiva contra ele pelo homicídio.
Atuação em Marataízes e Presidente Kennedy
Antes de se tornar alvo das investigações, Gilbert Wagner Antunes Lopes teve atuação na administração pública e no setor empresarial do Espírito Santo.
Ele exerceu o cargo de secretário municipal em Marataízes e, posteriormente, passou a trabalhar no ramo de obras e serviços públicos, com atividades relacionadas à Prefeitura de Presidente Kennedy.
Nesse período, manteve contato com agentes políticos e representantes de instituições públicas da região. Inclusive tem fotos ao lado de autoridades. Anos depois, passou a ser citado em investigações criminais e em reportagens sobre supostas relações com grupos armados.
As autoridades também associam ao investigado o apelido de “Batman”, referência a um antigo integrante de milícia que atuou na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Essa menção é utilizada pela investigação para sustentar a suspeita de vínculos com organizações paramilitares, mas a existência, a extensão e a natureza dessas relações ainda deverão ser esclarecidas no processo.
Com a prisão, a defesa poderá apresentar novo pedido de habeas corpus, solicitar a revogação da preventiva ou contestar os elementos usados para fundamentar a medida. O investigado também poderá ser ouvido sobre o homicídio e sobre outras suspeitas apuradas pelas autoridades.
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