Pesquisadores do Serviço Geológico do Brasil (SGB) realizam, entre os dias 5 e 8 de agosto, mais uma etapa do projeto Dinâmica Costeira em Maricá, no litoral do Rio de Janeiro. A pesquisa, desenvolvida em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), busca entender como as praias do município vêm se transformando ao longo do tempo e quais efeitos podem ser associados às mudanças climáticas.
A etapa realizada neste mês é a penúltima prevista no projeto. Os levantamentos devem ajudar a identificar regiões mais suscetíveis à erosão costeira e aos impactos provocados por ressacas. Os pesquisadores também pretendem apontar períodos do ano em que a perda de areia tende a ser mais intensa.
Os resultados poderão contribuir para o planejamento territorial e para a definição de estratégias voltadas à preservação e à segurança da faixa litorânea de Maricá.
A pesquisa tem duração prevista de dois anos e combina diferentes técnicas de levantamento. Entre os procedimentos estão o uso de drones, a coleta de amostras e materiais nas praias e análises realizadas em laboratório.
A primeira etapa do estudo ocorreu em novembro de 2024. A realização de campanhas em diferentes períodos do ano permite comparar as condições das praias e observar como fatores naturais interferem na formação e na movimentação dos sedimentos.
Com os dados reunidos ao longo do projeto, os pesquisadores poderão estabelecer um panorama mais detalhado da dinâmica costeira do município e identificar mudanças que possam representar riscos no futuro.
Maricá passou por um forte processo de expansão populacional e urbana nas últimas décadas. Segundo estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para 2025, o município possui aproximadamente 212 mil habitantes. No Censo de 2022, a cidade registrava cerca de 197 mil moradores.
O crescimento da ocupação urbana torna o acompanhamento das condições da faixa costeira ainda mais importante. Informações sobre erosão, movimentação de areia e ocorrência de ressacas podem auxiliar o poder público na tomada de decisões relacionadas ao uso e à ocupação do território.
As áreas costeiras são consideradas ambientes naturalmente dinâmicos e vulneráveis. A movimentação das marés, a ação dos ventos e das ondas e a elevação do nível do mar interferem constantemente na configuração das praias.
Além dos fenômenos naturais, a urbanização, a poluição e a exploração dos recursos naturais podem aumentar a pressão sobre esses ambientes.
As transformações na zona costeira também têm impacto direto sobre as populações que vivem nessas áreas. De acordo com o Atlas Geográfico das Zonas Costeiras e Oceânicas do Brasil, cerca de 50 milhões de pessoas viviam na região costeira brasileira, o equivalente a aproximadamente um quarto da população do país.
O acompanhamento científico desses territórios permite reunir informações que podem apoiar políticas de prevenção, planejamento urbano e proteção ambiental diante dos efeitos das mudanças climáticas.
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