Produzir café arábica orgânico com elevada produtividade pode deixar de ser um desafio para os cafeicultores capixabas. Pesquisas conduzidas pelo Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) apontam que novas cultivares recomendadas para o Espírito Santo apresentam desempenho produtivo comparável ao de lavouras convencionais, mesmo sem a utilização de produtos químicos.
Os experimentos vêm sendo realizados nos municípios de Santa Maria de Jetibá e Domingos Martins, nas Montanhas Capixabas. Ao longo de cinco safras, os materiais avaliados em sistema de sequeiro registraram produtividades médias entre 35,4 e 48,2 sacas por hectare, índices até 85% superiores à média histórica da produção de café arábica no Estado.
Entre as cultivares analisadas, a IPR 103 tem se destacado, com expectativa de alcançar até 86 sacas por hectare na safra deste ano.
Segundo o pesquisador do Incaper e coordenador dos estudos, Maurício Fornazier, os resultados demonstram que a produção orgânica pode ser economicamente viável e altamente competitiva. Ele destaca que a combinação entre produtividade e sustentabilidade representa uma oportunidade importante para o fortalecimento da cafeicultura capixaba.
Um dos diferenciais das cultivares avaliadas é a resistência genética à ferrugem do cafeeiro, uma das principais doenças da cultura. Essa característica reduz a necessidade de intervenções fitossanitárias e favorece a produção orgânica.
Além disso, práticas como plantio adensado e manutenção da cobertura vegetal contribuem para a conservação do solo, retenção de umidade, aumento da matéria orgânica e controle natural de plantas invasoras.
Os pesquisadores também ressaltam o potencial de mercado dos cafés orgânicos, impulsionado pelo crescimento da demanda por produtos sustentáveis tanto no Brasil quanto no exterior.
Recentemente, o Incaper ampliou os estudos com a implantação de uma nova área experimental no Centro de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação Serrano, em Aracê, próximo à Pedra Azul. O objetivo é avaliar o comportamento das cultivares em regiões de maior altitude e temperaturas mais amenas, além de analisar possíveis impactos na qualidade da bebida.
As próximas etapas da pesquisa incluem avaliações sensoriais dos cafés produzidos e a seleção dos materiais genéticos mais promissores para ampliar a adoção da cafeicultura orgânica no Espírito Santo. A expectativa é lançar ainda em 2026 uma cartilha técnica voltada aos produtores interessados em investir nesse modelo de produção sustentável.
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