Em Belém do Solimões (AM), a comunidade indígena Ticuna recebe apoio para consolidar sua agroindústria de açaí em pó, conduzida pela Associação das Mulheres Indígenas Ticuna (Mapana). O projeto tem potencial de beneficiar cerca de 200 mulheres e fortalecer a autonomia e o desenvolvimento socioeconômico local.
A iniciativa conta com apoio do Governo do Brasil, por meio do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI). Entre as ações previstas estão a instalação de tecnologia de filtragem de água potável e capacitação técnica para operação dos equipamentos da agroindústria.
O povo Ticuna habita a tríplice fronteira entre Brasil, Peru e Colômbia, e a Mapana desenvolve projetos de produção e fornecimento de alimentos tradicionais — como açaí, taperebá, mandioca, camu camu, banana e cará — para programas como o PAA (Programa de Aquisição de Alimentos). Recentemente, a associação também recebeu apoio para refrigeradores e embarcações, essenciais para transporte e armazenamento da produção.
O projeto de agroindústria de açaí foi identificado a partir da prospecção de empreendimentos sustentáveis da Bioeconomia Amazônica, conduzida pelo Parque Científico e Tecnológico do Alto Solimões (Pactas), no âmbito da Estratégia Nacional de Bioeconomia e Desenvolvimento Regional Sustentável (BioRegio).
Tecnologia e capacitação
Segundo o coordenador-geral de Gestão do Território do MIDR, Vitarque Coêlho, a ação inclui a implementação de osmose reversa para garantir água potável, tecnologia já aplicada com sucesso no semiárido brasileiro. Além disso, será desenvolvido um plano de negócios e realizada a capacitação das mulheres para operar os equipamentos de desidratação do açaí, assegurando autonomia e eficiência na produção.
O projeto também pode receber apoio internacional: o Banco de Desenvolvimento FONPLATA sinalizou a destinação de cerca de R$ 100 mil para instalação da tecnologia de purificação de água e poderá viabilizar recursos adicionais para a formação técnica das mulheres indígenas. O banco considera o projeto estratégico por fortalecer comunidades tradicionais e iniciativas lideradas por mulheres.
Além do impacto econômico direto com a produção de açaí desidratado, a iniciativa promove segurança hídrica, fortalecimento do comércio local e regional e inclusão produtiva de povos indígenas, consolidando a Bioeconomia Amazônica como alternativa sustentável de desenvolvimento.
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