O Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) iniciou uma nova etapa do estudo que pretende identificar a origem das partículas conhecidas popularmente como “pó preto” na Grande Vitória. A pesquisa, chamada de Estudo de Caracterização de Fontes de Material Particulado, terá coletas realizadas até março de 2027.
A investigação foi apresentada durante reunião da Comissão de Proteção ao Meio Ambiente da Assembleia Legislativa do Espírito Santo. O colegiado acompanha as ações relacionadas à qualidade do ar e pretende fiscalizar o desenvolvimento do estudo de forma periódica.
De acordo com o Iema, a pesquisa deverá comparar as características das partículas registradas nos pontos de monitoramento com amostras obtidas diretamente de diferentes fontes que podem contribuir para a presença de material particulado na atmosfera.
A ideia é identificar possíveis correspondências entre o material encontrado no ambiente e aquele proveniente de atividades como obras, circulação de veículos, movimentação de materiais e processos industriais.
Segundo o analista de meio ambiente do Iema, Takahiko Hashimoto Júnior, as coletas já estão em andamento e devem continuar até março do próximo ano. Após essa fase, as amostras serão encaminhadas para análises em diferentes laboratórios.
O prazo estimado para a conclusão de todas as etapas pode chegar a dois anos, considerando a realização das análises e a consolidação dos resultados.
O estudo é uma condicionante ambiental da Vale e conta com a participação de instituições de pesquisa, entre elas a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
Para estabelecer a origem das partículas, os pesquisadores precisam comparar o material encontrado nas estações de monitoramento com amostras obtidas nas possíveis fontes de emissão.
As coletas relacionadas à construção civil e às vias já foram realizadas. Também foram obtidas amostras em pilhas de materiais.
Agora, uma das principais etapas envolve a coleta de materiais nas chaminés de indústrias. O estudo também prevê análises de amostras de solo e de materiais provenientes da varrição de ruas, entre outras fontes que possam contribuir para a presença de partículas no ambiente.
A pesquisa vai avaliar diferentes tipos de material particulado. Entre eles está a poeira sedimentável, popularmente chamada de “pó preto”, e o PM2,5, formado por partículas muito pequenas que podem alcançar regiões profundas do sistema respiratório.
A investigação atual dá continuidade a um trabalho realizado entre 2009 e 2011, que também teve como objetivo avaliar as fontes de partículas presentes na atmosfera da Grande Vitória.
A Comissão de Proteção ao Meio Ambiente pretende acompanhar regularmente o andamento do estudo. O objetivo é verificar o cumprimento das etapas e ampliar a transparência sobre os procedimentos utilizados pelos pesquisadores.
O presidente da comissão, deputado estadual Fabrício Gandini, defendeu que os responsáveis pelo trabalho apresentem informações sobre a metodologia, as coletas e as análises realizadas.
A intenção é que os pesquisadores e instituições envolvidas também possam explicar aos parlamentares como o estudo está sendo desenvolvido ao longo das diferentes fases.
Paralelamente ao estudo do “DNA do Pó Preto”, o Iema prepara um novo Inventário de Emissões Atmosféricas da Grande Vitória.
Esse levantamento permite estimar a contribuição de diferentes atividades para as emissões de poluentes na região. Entre as fontes que podem ser consideradas estão veículos, vias de tráfego, obras da construção civil, pilhas de materiais, portos, ferrovias, aeroporto e aterros sanitários.
O inventário também pode considerar emissões provenientes de atividades residenciais.
O levantamento mais recente da Grande Vitória foi realizado em 2015. Segundo o Iema, estão sendo finalizados os procedimentos para a contratação de empresas especializadas responsáveis pela elaboração e auditoria do novo inventário.
A expectativa é que o levantamento passe a ser atualizado regularmente. Com dados mais recentes sobre as diferentes fontes de emissão, o inventário poderá auxiliar o planejamento de medidas destinadas à melhoria da qualidade do ar na Grande Vitória.
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