Conversas, cadeiras sendo arrastadas, circulação de estudantes e atividades no refeitório fazem parte da rotina de qualquer escola. Quando esses sons ultrapassam determinados níveis, porém, podem prejudicar a concentração, a convivência e o bem-estar dos alunos. Foi a partir dessa realidade que estudantes da Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Izaura Marques da Silva, no bairro Andorinhas, em Vitória, desenvolveram uma proposta que une ciência, tecnologia e inclusão.
O projeto Semáforo do Som envolve oito alunos bolsistas e um estudante voluntário do Ensino Fundamental II. A iniciativa integra o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica Júnior (PIBIC Jr.) e conta com apoio do Fundo de Apoio à Ciência e Tecnologia do Município de Vitória (Facitec). A proposta é criar um dispositivo capaz de medir a intensidade dos ruídos e indicar, por meio de luzes, quando o nível sonoro está adequado ou precisa ser reduzido.
A ideia surgiu a partir da experiência de um estudante atendido pela educação especial, que apresenta sensibilidade a sons intensos. A situação levou a turma a investigar os impactos do excesso de ruído sobre a concentração e o bem-estar e a buscar uma solução tecnológica que pudesse contribuir para um ambiente mais acolhedor. Sob orientação da professora Fabielli Feijó Cândido, os alunos participam de todas as etapas, desde a identificação do problema e levantamento de informações até a coleta e análise dos dados, programação e construção do protótipo.
Para descobrir os locais e horários com maior intensidade sonora, os estudantes realizam medições em diferentes ambientes da escola utilizando aplicativos gratuitos de decibelímetro. Os resultados ajudam a identificar os níveis mínimo e máximo de ruído e servirão de base para a programação do equipamento. O protótipo será construído com Arduino, sensor e LEDs, utilizando três cores: verde para indicar níveis adequados, amarelo para sinalizar atenção e vermelho para apontar situações de ruído elevado.
A escolha por um sistema visual tem relação direta com a proposta de inclusão. Em vez de emitir um alerta sonoro, o equipamento utilizará luzes para informar a situação do ambiente. Dessa forma, os próprios estudantes poderão identificar quando o nível de barulho está alto e contribuir para a mudança de comportamento coletivo. O primeiro equipamento será instalado em uma sala de aula e, após a avaliação dos resultados, poderá ser levado para outros espaços, como biblioteca e laboratório.
O desenvolvimento do projeto também proporcionou aos alunos experiências fora da escola. Durante uma atividade realizada na Escola de Inovação, no Parque Moscoso, em Vitória, eles participaram de uma oficina de programação com Arduino Uno R3 e modelagem 3D. Os conhecimentos adquiridos serão utilizados tanto na programação do semáforo quanto na criação da estrutura que irá acomodar os componentes do equipamento. Para os estudantes, a experiência também abriu novas possibilidades de aprendizado e despertou interesse por áreas relacionadas à tecnologia, acústica e programação.
A pesquisa ganhou ainda o apoio de profissionais especializados. A empresa Oro Acústica, que atua nas áreas de engenharia mecânica e acústica, realizou uma palestra para os estudantes e passou a colaborar com a iniciativa. A parceria prevê o desenvolvimento de um sensor próprio para a identificação dos níveis de ruído. Os alunos também participaram de atividades com a doutoranda da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Lorrainy Ferrari, sobre iniciação científica, além de uma formação conduzida pelo professor de Inglês da escola, que possui experiência na área de segurança do trabalho em plataforma de petróleo e abordou os riscos relacionados à exposição ao ruído.
A próxima etapa será realizada em outubro, durante uma Semana de Sensibilização na própria escola. Os estudantes deverão apresentar o projeto aos colegas por meio de palestras, slides e dados obtidos em um questionário elaborado pela turma. A intenção é transformar os participantes em multiplicadores das informações sobre os impactos do excesso de ruído. Para a Companhia de Desenvolvimento, Turismo e Inovação de Vitória (CDTIV), a experiência demonstra como a iniciação científica pode aproximar os jovens da tecnologia e mostrar que problemas cotidianos podem se transformar em pesquisas e soluções capazes de melhorar o ambiente escolar.
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