Quem navega pelo litoral de Vitória precisa manter distância das Ilhas Galheta de Dentro e de Fora. O acesso aos dois locais permanece proibido até 31 de outubro para proteger aves marinhas durante o período de reprodução. A presença de pessoas pode assustar os animais, provocar o abandono dos ninhos e colocar ovos e filhotes em risco.
A restrição está prevista na Lei Municipal nº 8.993/2016 e estabelece a proibição de acesso entre março e outubro. Durante esse período, o desembarque e a circulação nas ilhas podem prejudicar as áreas utilizadas pelas aves para construir seus ninhos e cuidar dos filhotes.
Entre as espécies que utilizam esses ambientes estão a andorinha-do-mar-de-bico-amarelo (Sterna eurygnatha) e a andorinha-do-mar-de-bico-vermelho (Sterna hirundinacea). Os ninhos são construídos diretamente no solo, muitas vezes com ovos camuflados entre pedras e outros elementos naturais, o que aumenta o risco de acidentes durante a aproximação de pessoas.
Além da possibilidade de pisar nos ovos ou nos filhotes, a movimentação humana pode fazer com que as aves adultas abandonem temporariamente os ninhos, deixando a nova geração mais vulnerável.
A Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semmam) reforça a campanha de educação ambiental e orienta navegadores, pescadores e frequentadores do litoral a respeitarem a proibição até o fim de outubro.
Proteção ambiental continua durante todo o ano
O fim do período de acesso restrito não significa que as ilhas estejam liberadas para qualquer atividade. Mesmo depois de outubro, continuam proibidas práticas que possam prejudicar o ambiente natural e perturbar a fauna, como acender fogueiras, retirar vegetação, levar animais domésticos ou exóticos, pescar, pernoitar e interferir na avifauna.
O secretário municipal de Meio Ambiente, Anderson Barbosa, destaca que a preservação desses espaços depende do comportamento dos visitantes durante todo o ano. Segundo ele, as ilhas são importantes áreas de reprodução, alimentação e descanso para diferentes espécies, e qualquer interferência pode comprometer o equilíbrio ambiental.
Mudança nos ninhos acende alerta
O acompanhamento da fauna marinha também identificou uma situação que chama a atenção em 2026. O Instituto de Pesquisa e Reabilitação de Animais Marinhos (Ipram) relatou que as trinta-réis-de-bando passaram a utilizar uma pilastra da Terceira Ponte para construir seus ninhos.
A presença frequente de pessoas nas ilhas foi apontada pela instituição como uma das hipóteses que podem ter contribuído para essa mudança. O registro reforça a importância de reduzir a interferência humana nos locais escolhidos pelas aves para reprodução.
Respeitar a distância também é preservar
Para quem navega ou pratica atividades de lazer nas proximidades das Ilhas Galheta, a orientação é evitar aproximações das aves, não tocar em ninhos ou filhotes e não deixar resíduos no ambiente.
A preservação depende de atitudes simples, como observar a natureza sem interferir no seu funcionamento. Até o encerramento do período de restrição, em 31 de outubro, não é permitido desembarcar nas ilhas. O objetivo é garantir tranquilidade para que as aves completem seu ciclo reprodutivo e contribuam para a conservação da biodiversidade no litoral de Vitória.
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