O ex-banqueiro Daniel Vorcaro negou ter cometido fraudes bancárias nas operações envolvendo o Banco Master e o Banco Regional de Brasília (BRB). Em depoimento prestado à Polícia Federal (PF) no dia 15 de outubro, ele contestou as acusações, afirmou que não existem provas de irregularidades e pediu o arquivamento da investigação.
A declaração foi feita antes de a Polícia Federal concluir, nesta quarta-feira (28), o indiciamento de Vorcaro e outros 14 investigados na primeira fase da Operação Compliance Zero. A investigação apura suspeitas de fraudes financeiras relacionadas à tentativa de compra do Banco Master pelo BRB.
Durante a oitiva, conduzida pela delegada Janaína Palazzo, o ex-banqueiro defendeu a realização de uma perícia independente para verificar as operações e a existência de eventuais prejuízos. Ele argumentou que os ativos envolvidos foram substituídos e questionou a existência de provas que sustentem as acusações.
Vorcaro também afirmou que teria atuado de boa-fé para resolver um problema envolvendo a troca de ativos da Tirreno, empresa que, segundo a investigação, seria de fachada e teria sido utilizada para transferir carteiras de crédito fictícias ao banco público.
No depoimento, que durou aproximadamente duas horas, o ex-controlador do Banco Master demonstrou indignação com a investigação e questionou os motivos de sua prisão. Ele também pediu à delegada que reconsiderasse sua situação e permitisse que aguardasse o andamento do processo em liberdade.
Preso desde março de 2026, Vorcaro está custodiado no presídio da Papudinha, no Distrito Federal. Durante a oitiva, relatou os impactos da prisão sobre sua família e pediu um voto de confiança à responsável pela investigação.
A defesa do ex-banqueiro também contestou as conclusões da Polícia Federal após o indiciamento. Em manifestação, os advogados afirmaram que as operações envolvendo o Banco Master, o BRB e a Tirreno não provocaram prejuízos à instituição financeira pública. Segundo eles, as carteiras de crédito inicialmente negociadas foram substituídas por outros ativos, e a operação teria produzido resultados positivos para o Banco de Brasília.
Os advogados ainda criticaram o andamento das investigações, alegando que a PF mantém as mesmas acusações sem apresentar avanços suficientes. A defesa ressaltou que não houve perícia oficial capaz de comprovar os prejuízos apontados pelos investigadores.
Indiciamento e acusações da Polícia Federal
No relatório de indiciamento, a Polícia Federal atribuiu a Vorcaro participação direta nas operações consideradas irregulares. Segundo os investigadores, ele teria exercido influência decisiva nas negociações envolvendo carteiras de crédito sem lastro e seria o principal beneficiário econômico das operações destinadas a obter liquidez para o Banco Master.
A PF afirma que o ex-banqueiro teve participação pessoal e reiterada na estrutura investigada. Os 15 indiciados foram acusados de gestão fraudulenta de instituição financeira, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Investigação aponta prejuízo de R$ 2,7 bilhões
Um dos principais pontos da investigação é o prejuízo financeiro identificado nas operações. De acordo com a Polícia Federal, as perdas já apuradas chegam a aproximadamente R$ 2,7 bilhões, com parte dos valores relacionada a carteiras de crédito consideradas inexistentes e atribuídas à Tirreno.
Os investigadores sustentam que os prejuízos já foram formalizados e reconhecidos, afastando a hipótese de que se trataria apenas de um risco financeiro ou de uma estimativa sem comprovação.
O caso segue como um dos principais episódios recentes de investigação envolvendo o sistema financeiro brasileiro. Enquanto Vorcaro e seus advogados negam irregularidades e contestam a existência de perdas para o BRB, a Polícia Federal sustenta que as operações investigadas envolveram fraudes estruturadas e movimentações financeiras ilícitas.
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