Pelo segundo ano consecutivo, estudantes ligados ao Centro Estadual de Tempo Integral Lucas Meireles Alves conquistaram destaque em competições de inovação promovidas pela Secretaria de Educação do Piauí com projetos voltados à agricultura familiar, sustentabilidade e geração de renda no campo.
Em 2025, jovens do assentamento 17 de Abril ganharam reconhecimento na Seduckathon, competição de tecnologia e empreendedorismo estudantil do governo estadual, ao desenvolverem a plataforma digital Raízes Conectadas.
A iniciativa garantiu aos estudantes um intercâmbio tecnológico em Singapura, realizado em janeiro de 2026.
A plataforma foi criada para aproximar agricultores familiares de compradores, conectando produtores rurais a consumidores locais e mercados institucionais, como escolas públicas.
O projeto atende diretamente à legislação brasileira que determina que pelo menos 30% dos alimentos da merenda escolar sejam adquiridos da agricultura familiar.
Tecnologia para fortalecer o campo
A estudante Ana Vitória Barbosa Santiago de Sousa explicou que a proposta surgiu a partir das dificuldades enfrentadas pelos pequenos produtores do assentamento para comercializar seus produtos.
Segundo ela, o site permite que agricultores anunciem alimentos disponíveis e os preços de venda, facilitando o acesso ao mercado consumidor.
“Através do site, a agricultura familiar pode chegar mais fácil ao mercado consumidor”, afirmou.
Ana destacou ainda que a experiência do intercâmbio internacional foi transformadora para os estudantes. “Ninguém volta de uma experiência como essa da mesma forma que foi”, relatou.
Novo projeto aposta em sustentabilidade
Agora, um novo grupo de estudantes da escola voltou a se destacar ao avançar na primeira etapa do programa Do Piauí para o Mundo, iniciativa que substituiu a Seduckathon e promove intercâmbios educacionais nacionais e internacionais.
O projeto classificado nesta edição recebeu o nome Ecopi: Inteligência Geoespacial a Serviço da Sucessão Rural.
A proposta consiste em um aplicativo para certificação digital de mudas produzidas no assentamento, utilizando tecnologia associada a satélites públicos.
Segundo a estudante Isabele Cristina de Almeida, o aplicativo permite rastrear informações como origem, espécie, local de plantio e desenvolvimento das plantas.
A expectativa é ampliar a confiabilidade da produção, facilitar a comercialização e fortalecer ações ambientais.
“Além de gerar renda entre jovens, para que não haja abandono do campo, contribuímos com a questão ambiental, através do reflorestamento”, explicou.
Viveiro coletivo e preservação ambiental
O projeto está ligado ao viveiro coletivo criado recentemente no assentamento 17 de Abril.
A iniciativa reúne estudantes, moradores e a escola local na produção de mudas de espécies nativas do semiárido e de outras regiões brasileiras.
Além de incentivar práticas sustentáveis, o viveiro busca gerar renda para famílias assentadas e contribuir para ações de enfrentamento às mudanças climáticas.
O professor de Desenvolvimento de Sistemas da escola, Sávio Rodrigues, responsável pela orientação dos alunos, destacou o impacto social das iniciativas.
“É muito bom ver que estes jovens buscam transformar desafios cotidianos da comunidade em soluções digitais e ainda com preocupação ambiental”, afirmou.
Os estudantes ainda passarão por novas etapas da competição, incluindo avaliação técnica e defesa da viabilidade dos projetos diante de banca especializada.
O resultado final do programa deve ser divulgado nos próximos dois meses.
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