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STF retoma julgamento do marco temporal para terras indígenas na quarta-feira

redação Por redação
07/12/2025 - 16:25
em Brasil
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STF retoma na quarta-feira (10) o julgamento do marco temporal para terras indígenas. Sessão terá sustentações orais, enquanto ações de partidos e entidades disputam a validade da tese. Entenda o que está em jogo.

Imagem:Joédson Alves/Agência Brasil

O Supremo Tribunal Federal (STF) retoma na próxima quarta-feira (10) o julgamento sobre a constitucionalidade do marco temporal para a demarcação de terras indígenas. Nesta etapa, não haverá votação. Os ministros irão apenas ouvir as sustentações orais das partes envolvidas, e a data da nova deliberação será definida posteriormente.

A discussão volta ao STF após o tema reacender conflitos jurídicos e políticos. Em 2023, a Corte já havia decidido que o marco temporal é inconstitucional. No mesmo ano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetou o projeto de lei aprovado pelo Congresso que restabelecia a tese. Entretanto, os parlamentares derrubaram o veto, fazendo o marco temporal voltar ao ordenamento jurídico.

Com isso, prevalece atualmente a regra de que os povos indígenas somente têm direito às terras que ocupavam em 5 de outubro de 1988, data da promulgação da Constituição, ou que estavam sob disputa judicial naquele período.

Após a derrubada do veto presidencial, PL, PP e Republicanos protocolaram ações no STF para garantir a validade do projeto de lei que reconhece o marco temporal. Em sentido oposto, entidades indígenas e partidos governistas recorreram ao Supremo para anular novamente a tese, que consideram violadora de direitos constitucionais.

Tentativas de conciliação antes do julgamento

Antes de retomar o processo, o STF promoveu diversas audiências de conciliação entre os envolvidos. As negociações foram determinadas pelo ministro Gilmar Mendes, relator das ações. Mendes também rejeitou o pedido para suspender a votação do Congresso que restabeleceu o marco, decisão criticada por representantes indígenas.

No início dos trabalhos, em agosto do ano passado, a Articulação dos Povos Indígenas (Apib) deixou a comissão por considerar que não havia paridade nas discussões. As reuniões seguiram sem a presença dos representantes indígenas, com participação de Senado, Câmara dos Deputados, Ministério dos Povos Indígenas (MPI), Funai, estados e municípios.

Em junho deste ano, a comissão concluiu os trabalhos e aprovou uma minuta de anteprojeto que poderá ser enviada ao Congresso após o julgamento. O documento sugere alterações na Lei 14.701/2023, que trata dos direitos indígenas, mas manteve o marco temporal por falta de consenso entre os participantes.

A minuta reúne pontos acordados entre as partes e, em alguns casos, apenas explicita regras já previstas na legislação vigente.

Entre eles estão:

  • permissão para turismo em áreas indígenas, desde que autorizado pelas próprias comunidades;
  • obrigatoriedade de estados e municípios participarem das etapas de demarcação;
  • determinação de que o processo conduzido pela Funai seja público e com ampla divulgação de todos os atos.

O tema volta ao plenário do STF em um momento de forte mobilização indígena e intensa disputa política sobre o futuro das demarcações no país.

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Tags: #ConstituiçãoFederal#Demarcação#DireitosIndígenas#FUNAI#MarcoTemporal#PovosIndígenas#SupremoTribunalFederal#TerrasIndígenasPolítica
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