A Receita Federal vai criar uma delegacia especializada em crimes contra o sistema financeiro, com foco no enfrentamento ao crime organizado. O anúncio foi feito nesta quinta-feira (25) pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, após a deflagração da Operação Spare, realizada em conjunto com o Ministério Público de São Paulo (MPSP) e a Polícia Militar.
Segundo Haddad, a medida consolida o trabalho iniciado em 2023, quando foi criado um núcleo de combate a fraudes estruturadas. “Essa delegacia será um legado importante, independente de governo. Ela terá equipe dedicada a aprofundar investigações dessa natureza, que impactam a concorrência, o consumidor, o fisco e até os programas sociais”, afirmou.
Operação Spare
A operação é um desdobramento da “Operação Carbono Oculto”, realizada em 28 de agosto. O alvo principal é um dos maiores operadores de uma organização criminosa que atua há mais de 20 anos no mercado de combustíveis de São Paulo.
De acordo com a Receita, a rede utilizava postos de combustíveis, empreendimentos imobiliários, motéis e franquias para lavar dinheiro e ocultar patrimônio. Apenas no setor de combustíveis, foram identificados 267 postos ativos que movimentaram R$ 4,5 bilhões entre 2020 e 2024, mas recolheram apenas R$ 4,5 milhões em tributos federais, cerca de 0,1% da movimentação — percentual muito abaixo da média do setor.
Além disso, administradoras de postos ligadas ao grupo movimentaram R$ 540 milhões no mesmo período.
Estrutura da operação
A ação desta quinta envolveu o cumprimento de 25 mandados de busca e apreensão em São Paulo (19), Santo André (2), Barueri, Bertioga, Campos do Jordão e Osasco. Participaram 64 servidores da Receita Federal, 28 do MPSP (Gaeco), representantes da Sefaz/SP e cerca de 100 policiais militares.
Haddad destacou que, apenas em cinco anos, as operações financeiras investigadas superaram R$ 4 bilhões com recolhimento quase nulo de tributos. “Essa estrutura de lavagem de dinheiro, por trás de atividades aparentemente regulares, compromete a economia real, distorce a concorrência e prejudica os cofres públicos”, afirmou o ministro.
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