O Programa de Transferência de Renda Rural (PTR Rural) completou um ano de execução levando apoio financeiro e esperança para milhares de agricultores familiares atingidos pelo rompimento da barragem que devastou comunidades ao longo da Bacia do Rio Doce. Criado a partir do Novo Acordo do Rio Doce, o programa garante uma renda mensal para agricultores e agricultoras que aguardavam, há quase uma década, medidas efetivas de reparação.
A iniciativa é considerada uma das principais ações voltadas à recuperação econômica e social das famílias rurais impactadas pelo desastre ambiental, permitindo a retomada das atividades produtivas e a reconstrução de projetos de vida interrompidos.
Desde o pagamento da primeira parcela, realizado em julho de 2025, o programa tem contribuído para que agricultores reorganizem suas propriedades, retomem investimentos e recuperem a capacidade produtiva perdida após o desastre.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), o PTR Rural foi estruturado para garantir atendimento individual aos agricultores familiares, ampliando o alcance das ações de reparação e fortalecendo a economia das comunidades rurais atingidas.
A iniciativa também serviu como preparação para outros programas de desenvolvimento econômico previstos para a região.
Histórias de superação e reconstrução
Ao longo deste primeiro ano, diversas famílias conseguiram retomar atividades agrícolas, investir em melhorias habitacionais e recuperar sua autonomia financeira.
Em muitas comunidades, mulheres utilizaram os recursos para voltar a estudar, obter habilitação para dirigir e ampliar sua independência econômica. Jovens também passaram a contar com mais condições para investir na formação educacional.
Para os gestores do programa, o benefício vai além da compensação financeira, representando uma oportunidade concreta de reconstrução da vida das pessoas afetadas.
Agricultores voltam a investir na produção
Entre os beneficiários está a agricultora Joelma Fernandes, moradora de Alpercata, em Minas Gerais. Ela destaca que o programa tem sido fundamental para garantir a permanência das famílias no campo e a continuidade da produção agrícola.
Segundo a produtora, o recurso funciona como um importante incentivo para que agricultores consigam enfrentar os impactos deixados pelo desastre e mantenham suas atividades produtivas.
Outro exemplo é o agricultor Edésio do Carmo Martins, que antes do rompimento da barragem produzia cerca de 130 litros de leite por dia. Após perder a capacidade de produção, ele passou anos lutando ao lado de outras famílias pela reparação dos danos sofridos.
Com os recursos recebidos pelo PTR Rural, Edésio voltou a investir na atividade pecuária. A compra de novilhas permitiu a ampliação gradual do rebanho, contribuindo para a retomada da produção e geração de renda familiar.
Programa atende agricultores de Minas Gerais e Espírito Santo
O PTR Rural é executado pela Gerência Extraordinária de Reparação do Rio Doce da Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar.
O programa contempla agricultores familiares definidos pela Lei nº 11.326/2006 que residem em áreas atingidas pelo desastre ambiental.
Em Minas Gerais, têm direito ao benefício moradores de comunidades localizadas até cinco quilômetros dos rios Gualaxo do Norte, Carmo e Doce.
Já no Espírito Santo, o atendimento alcança agricultores residentes em áreas situadas entre o distrito de Farias, em Linhares, e a foz do Rio Doce, dentro da área considerada impactada pela inundação.
Benefício garante renda mensal às famílias
Cada agricultor ou agricultora incluído no programa recebe mensalmente o equivalente a um salário mínimo e meio.
O recurso tem sido utilizado para custear atividades produtivas, aquisição de insumos, manutenção das propriedades e despesas familiares, contribuindo para a estabilidade econômica das comunidades rurais.
A expectativa é que o PTR Rural continue desempenhando papel estratégico na recuperação socioeconômica da Bacia do Rio Doce, fortalecendo a agricultura familiar e promovendo condições para que as famílias reconstruam suas trajetórias após anos de dificuldades.
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