O príncipe William, herdeiro do trono britânico, ficou impressionado com a beleza do Parque Nacional da Tijuca durante sua visita ao Rio de Janeiro, na manhã desta quarta-feira (5). O passeio fez parte da programação do Prêmio Earthshot 2025, iniciativa internacional da The Earthshot Prize Foundation que reconhece projetos de proteção ambiental e combate às mudanças climáticas. O parque é administrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
O príncipe chegou pontualmente às 8h30 e seguiu para o Alto Corcovado, onde está localizado o Cristo Redentor, um dos monumentos mais conhecidos do mundo e integrante da unidade de conservação federal.
Entre as autoridades presentes, a chefe do Parque Nacional da Tijuca, Viviane Lasmar, apresentou ao príncipe o projeto histórico de reflorestamento iniciado há quase dois séculos. A Floresta da Tijuca é reconhecida como a maior floresta urbana replantada do planeta, símbolo da regeneração ambiental e da relação do Rio de Janeiro com a natureza.
Durante a visita, William comentou que a floresta “revela a verdadeira beleza da cidade, que só pode ser compreendida por quem conhece o Rio de perto”. Ele também recebeu de presente o livro Parque Nacional da Tijuca, do fotógrafo e autor Vitor Marigo, que retrata a história da área preservada.
O encontro contou com a presença do prefeito do Rio, Eduardo Paes, e da embaixadora do Reino Unido no Brasil, Stephanie Al-Qaq.
“A visita do príncipe William ajuda a mostrar ao mundo um dos projetos de reflorestamento mais bem-sucedidos do planeta, que é a regeneração da Floresta da Tijuca”, destacou Viviane Lasmar, lembrando que o parque já recebeu outras figuras ilustres, como o físico Albert Einstein, em 1925.
Patrimônio natural e histórico
O Parque Nacional da Tijuca é o mais visitado do Brasil, com mais de 4,6 milhões de visitantes em 2024. Além de proteger a maior floresta urbana replantada do mundo, a unidade contribui diretamente para o controle da temperatura na cidade — estima-se que, sem a floresta, o Rio de Janeiro seria até 5ºC mais quente.
Reconhecido pela Unesco desde 1991 como Reserva da Biosfera, o parque também integra a primeira paisagem cultural urbana declarada Patrimônio Mundial, título concedido em 2016.
Entre as atrações dentro da unidade estão o Cristo Redentor, o Parque Lage, a Pedra da Gávea, a Pedra Bonita, o Mirante Dona Marta e a Vista Chinesa, pontos turísticos icônicos que misturam natureza e história.
A origem do reflorestamento remonta a 1861, quando Dom Pedro II declarou as florestas da Tijuca e das Paineiras como áreas protetoras. Sob a liderança do major Manuel Gomes Archer, o processo contou com o trabalho fundamental de 11 pessoas negras escravizadas — Maria, Eleutério, Constantino, Manoel, Mateus, Leopoldo, Sabino, Macário, Clemente, Antônio e Francisco —, que plantaram mais de 100 mil árvores da Mata Atlântica em apenas 13 anos, demonstrando conhecimento ecológico e técnica sustentável.
Em 1961, grande parte do Maciço da Tijuca foi transformada em parque nacional, e em 1967 recebeu oficialmente o nome Parque Nacional da Tijuca. Um Decreto Federal de 2004 ampliou seus limites para 39,5 km², incorporando áreas como o Parque Lage, a Serra dos Pretos Forros e o Morro da Covanca.
Símbolo de regeneração e consciência ambiental
Hoje, o Parque Nacional da Tijuca é um exemplo internacional de recuperação ecológica e gestão sustentável. A visita do príncipe William reforça o papel da unidade como símbolo global de reflorestamento, preservação ambiental e cooperação internacional.
“A Floresta da Tijuca mostra como é possível restaurar ecossistemas degradados e transformar a relação entre cidade e natureza”, concluiu Viviane Lasmar.
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