A Polícia Federal (PF) prendeu nesta segunda-feira (19) a empresária Márcia Gama Nepomuceno, mulher do traficante Márcio dos Santos Nepomuceno, conhecido como Marcinho VP, e mãe do rapper Oruam. A prisão ocorreu durante a Operação Backbone, que investiga uma estrutura criminosa ligada ao Comando Vermelho no Rio de Janeiro. Também foi preso Lucas dos Santos Nepomuceno, outro filho do casal.
Márcia e Lucas estavam entre os alvos de 23 mandados de prisão expedidos pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Após serem detidos, os dois foram encaminhados à Superintendência da Polícia Federal no Rio. Até o início da tarde, a corporação havia cumprido 20 mandados, incluindo um contra Marcinho VP, que já está preso na Penitenciária Federal de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul.
De acordo com as investigações, o grupo criminoso impunha o monopólio do fornecimento de internet em comunidades dos complexos do Alemão e da Penha, além de áreas do Chapadão e bairros da Zona Norte carioca, como Pavuna, Anchieta, Ricardo de Albuquerque, Costa Barros e Guadalupe. A suspeita é de que empresas provedoras de internet fossem utilizadas para lavar dinheiro proveniente das atividades ilegais.
A defesa de Márcia, representada pelo advogado Flávio Fernandes, afirmou que ainda não teve acesso aos autos da investigação e, por isso, não poderia avaliar os fundamentos da prisão. O advogado declarou que, conforme as informações de que dispõe, a apuração envolve empresas que forneceriam sinais clandestinos de televisão e internet e que teriam repassado recursos a familiares de sua cliente.
Fernandes negou que Márcia tenha ligação com o esquema investigado. Segundo ele, as empresas vinculadas à empresária atuam legalmente, emitem notas fiscais e mantêm suas obrigações tributárias em dia. O advogado afirmou ainda que sua cliente desconhece as empresas apontadas na investigação. Até a divulgação das informações, a Agência Brasil não havia conseguido contato com a defesa de Lucas.
Além das prisões, a operação cumpriu mandados de busca e apreensão em diferentes municípios do estado. As diligências alcançaram a capital, Nova Iguaçu, São João de Meriti e Magé, na Baixada Fluminense, além de Teresópolis, na Região Serrana, e Maricá, na Região Metropolitana. Segundo a PF, parte dos mandados de prisão também seria executada dentro do sistema penitenciário.
A Justiça determinou ainda o bloqueio de bens e valores de até R$ 558 milhões, medida que atinge 40 pessoas físicas e 42 empresas. Também foi ordenada a suspensão das atividades econômicas das pessoas jurídicas investigadas, entre elas provedores de internet, produtoras de eventos, uma empresa de contabilidade e empresas apontadas como estruturas de fachada usadas nas práticas criminosas.
A Operação Backbone integra a Força-Tarefa Missão Redentor II, coordenada pela Polícia Federal para combater organizações criminosas no Rio de Janeiro. A ação segue as diretrizes estabelecidas pelo Supremo Tribunal Federal no âmbito da ADPF 635. As suspeitas são objeto de investigação, e as responsabilidades individuais deverão ser apuradas pelas autoridades competentes.
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