A Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) realizaram, nesta segunda-feira (10), uma operação para aprofundar as investigações sobre possíveis irregularidades em investimentos feitos pelo Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió (Iprev) no Banco Master.
As apurações envolvem aplicações que somam aproximadamente R$ 97 milhões em letras financeiras emitidas pela instituição bancária.
Ao todo, foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão em endereços localizados em Alagoas e São Paulo. As medidas foram autorizadas pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo as informações apresentadas na investigação, o Iprev realizou uma aplicação de R$ 97 milhões em dezembro de 2023. Em maio de 2024, houve uma nova aplicação, no valor de R$ 17 mil.
A PF busca esclarecer como ocorreram as etapas que antecederam as operações, incluindo credenciamento, cotação, avaliação de riscos, análise de governança e tomada de decisão.
Entre as suspeitas investigadas está a possibilidade de direcionamento dos investimentos e de exposição considerada elevada do patrimônio previdenciário a ativos classificados como de maior risco e com baixa liquidez.
A decisão judicial menciona ainda questionamentos sobre a documentação utilizada para justificar as aplicações.
Segundo o ministro André Mendonça, as autorizações de aplicação e resgate teriam apresentado justificativas consideradas genéricas, sem estudos comparativos suficientes entre alternativas de investimento e sem detalhamento adequado sobre riscos, liquidez e outras características dos ativos.
A empresa Crédito & Mercado de Valores Mobiliários, que prestava serviços de consultoria ao Iprev, também está entre os alvos das medidas.
De acordo com a PF, a consultoria teria participado de etapas relacionadas ao credenciamento, elaboração e validação de análises e organização dos documentos referentes às operações com o Banco Master.
Para os investigadores, essa atuação pode ter representado uma transferência indevida de atribuições que deveriam ser exercidas diretamente pelo instituto de previdência.
Entre os nomes citados na investigação estão João Felipe Alves Borges, atual secretário de Fazenda de Maceió e que integrava o Conselho de Administração do Iprev no período analisado; Ronnie Reyner Teixeira Mota, ex-diretor-presidente do instituto; e Gustavo Antônio Rodrigues de Souza, ex-coordenador-geral de Investimentos.
Também são investigados Renan Foglia Calamia, dirigente da Crédito & Mercado; Marília Alexandre de Lima Alves, integrante da Secretaria Municipal da Fazenda; e Marcelo Brasileiro Santos, que fazia parte do Comitê de Investimentos do Iprev.
As buscas ocorreram em endereços relacionados aos investigados e também nas sedes do Iprev e da empresa de consultoria.
A autorização judicial permitiu a apreensão de computadores, discos rígidos, pendrives, telefones celulares, documentos, agendas, anotações, contratos e comprovantes financeiros, entre outros materiais que possam contribuir para a investigação.
A decisão também determinou a indisponibilidade de bens e valores pertencentes aos seis investigados, até o limite conjunto de R$ 97 milhões.
O Banco Master, pertencente ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, foi submetido à liquidação extrajudicial pelo Banco Central em novembro de 2025.
Na ocasião, o BC informou que a instituição havia descumprido normas do Sistema Financeiro Nacional e enfrentava uma situação grave de falta de liquidez.
Em manifestação sobre o caso, o Iprev afirmou que os investimentos foram realizados seguindo os procedimentos legais e administrativos aplicáveis.
O instituto também informou que seu patrimônio teria aumentado de aproximadamente R$ 400 milhões em 2021 para mais de R$ 1,6 bilhão atualmente.
Segundo o Iprev, o crescimento patrimonial garante a capacidade de pagamento de aposentadorias e pensões. O instituto afirmou ainda que está colaborando com as autoridades responsáveis pela investigação.
Até a publicação da matéria, não havia manifestação dos demais investigados citados na operação. As apurações seguem em andamento e as suspeitas ainda deverão ser analisadas no decorrer do processo. O espaço permanece aberto para manifestação dos envolvidos.
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