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Pesquisadores encontram primeiras evidências de dinossauros na Amazônia após 103 milhões de anos

Pegadas identificadas na Bacia do Tacutu, em Roraima, revelam a presença inédita de diferentes grupos de dinossauros na região amazônica.

redação Por redação
16/11/2025 - 14:47
em Brasil
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Pesquisadores da UFRR encontram, pela primeira vez, indícios de dinossauros na Amazônia. Pegadas de mais de 103 milhões de anos foram identificadas na Bacia do Tacutu, em Roraima, revelando a presença de diferentes grupos de dinossauros na região.

Imagem: Agência Brasil

A presença de dinossauros em diversas regiões do Brasil é conhecida há décadas, mas faltavam evidências de que esses animais pré-históricos teriam habitado a Amazônia. Agora, pesquisadores da Universidade Federal de Roraima (UFRR) identificaram, pela primeira vez, indícios de que dinossauros viveram na região há mais de 103 milhões de anos.

A descoberta ocorreu na Bacia do Tacutu, no município de Bonfim, ao norte de Roraima. No local, foram encontradas mais de dez pegadas da era Jurássico-Cretácea, que representam o registro mais antigo da presença desses animais no bioma amazônico.

Embora não seja possível identificar com precisão a espécie responsável por cada pegada, os vestígios apontam para a existência de grupos como raptores, ornitópodes (herbívoros bípedes) e xireóforos, conhecidos pela armadura óssea sobre o dorso.

Desafios de preservação na Amazônia

A escassez de achados fósseis na região amazônica é explicada pelo processo natural de intemperismo, que desgasta e decompõe as rochas, dificultando a preservação de estruturas fósseis. Segundo o pesquisador Lucas Barros, responsável pela análise das pegadas, materiais ósseos só são preservados quando soterrados em camadas sedimentares protegidas.

Barros explica que, há milhões de anos, o Tacutu formava um vale com rios interligados, alta umidade e vegetação abundante. Quando os dinossauros pisavam sobre o solo úmido, as marcas endureciam com o tempo e resistiam ao soterramento, permitindo sua fossilização.

A presença de áreas de savana na Bacia do Tacutu também favoreceu a preservação. A vegetação mais aberta permite a exposição de rochas, facilitando a identificação de vestígios fósseis, como pegadas, troncos fossilizados e impressões de folhas.

Uma pesquisa de 11 anos

As pegadas foram encontradas originalmente em 2014 por alunos de geologia da UFRR, durante uma atividade de campo conduzida pelo professor Vladimir Souza. Como a universidade não possuía especialistas em paleoecologia nem equipamentos adequados, o estudo acabou arquivado por anos, evitando que o conteúdo fosse apropriado por outros grupos de pesquisa.

O trabalho foi retomado apenas em 2021, quando Lucas Barros, com supervisão do professor Felipe Pinheiro, da Unipampa, transformou a investigação em sua dissertação de mestrado. Barros passou então a mapear icnofósseis — vestígios da atividade de organismos antigos — presentes na região.

A análise das pegadas utiliza a técnica de fotogrametria, que permite a criação de modelos 3D detalhados e em alta fidelidade. Assim, é possível estudar a morfologia das marcas, identificar novas ocorrências e compreender como os dinossauros se movimentavam pelo ambiente.

Pesquisadores acreditam que há centenas de pegadas por descobrir

Barros estima que a Bacia do Tacutu pode abrigar centenas de pegadas ainda não identificadas. Atualmente, ele investiga novas ocorrências dentro da Terra Indígena Jabuti, onde já foram registradas quatro áreas com elevado valor científico.

Um dos principais desafios para os pesquisadores é o acesso às áreas de estudo. Muitas pegadas estão em propriedades privadas, e alguns fazendeiros temem que a descoberta de fósseis resulte em disputas fundiárias, demarcações ou perda de terras, o que limita o avanço das pesquisas.

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Tags: #Amazônia#BaciaDoTacutu#CiênciaBrasileira #Cretáceo#Dinossauros#Fósseis#Jurássico#Paleontologia#UFRR
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