Pesquisadores do Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA) identificaram três novas espécies de plantas na Mata Atlântica, nos estados do Espírito Santo e de Minas Gerais. Duas delas já foram classificadas em categorias de risco de extinção, reforçando a importância da conservação da biodiversidade brasileira.
As espécies receberam os nomes científicos de Pleroma latisepalum, Pleroma leucotrichum e Pleroma squamipilosum. Todas pertencem à família Melastomataceae, que reúne plantas conhecidas por suas flores vistosas, como as quaresmeiras.
A Pleroma leucotrichum foi encontrada no complexo rochoso Pedra do Fio e Pedra dos Cabritos, na região de Estrela do Norte, em Castelo, no sul do Espírito Santo. A espécie foi classificada como em perigo de extinção.
Já a Pleroma latisepalum foi identificada nos municípios mineiros de Itaipé e Novo Cruzeiro e recebeu a classificação de vulnerável, indicando risco de extinção na natureza.
A terceira espécie, Pleroma squamipilosum, foi encontrada em Nova Venécia, no Espírito Santo, e em localidades de Minas Gerais. Como ainda não existem informações suficientes, os pesquisadores não conseguiram estabelecer uma categoria de ameaça para a planta.
Para confirmar as descobertas, os pesquisadores analisaram características das flores, folhas e estruturas reprodutivas. Os exemplares foram comparados com materiais de coleções botânicas e descrições científicas já publicadas.
Embora apresentassem semelhanças com outras plantas do mesmo gênero, as três espécies possuem características próprias que permitiram diferenciá-las das espécies conhecidas.
“Nem sempre as diferenças entre duas espécies são evidentes à primeira vista. É preciso analisar um conjunto de características e comparar os exemplares com materiais já estudados para confirmar que se trata de uma espécie ainda não descrita”, explica Fabrício Schmitz Meyer, pesquisador vinculado à Universidade Federal do Paraná (UFPR) e ao Museu Botânico Municipal de Curitiba, além de coautor do estudo.
Inselbergues abrigam biodiversidade singular
As três espécies foram encontradas em inselbergues, grandes formações rochosas isoladas na paisagem. Esses ambientes apresentam condições desafiadoras para a vegetação, como pouca disponibilidade de água, solos rasos e intensa exposição solar.
Apesar das dificuldades, os inselbergues abrigam uma flora especializada, com espécies adaptadas a condições ambientais específicas e, muitas vezes, restritas a pequenas áreas.
“Os inselbergues possuem uma flora muito particular, que muitas vezes não é encontrada nas florestas ao redor. As novas descobertas mostram que ainda conhecemos pouco a diversidade desses ambientes”, afirma Dayvid Rodrigues Couto, pesquisador vinculado ao INMA e à Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) e um dos autores da pesquisa.
O estudo, intitulado Three new species of Pleroma (Melastomataceae) from Atlantic Forest inselbergs, southeastern Brazil, foi publicado na revista científica Phytotaxa. A pesquisa amplia o conhecimento sobre a flora da Mata Atlântica e destaca a necessidade de proteger ambientes que ainda guardam espécies desconhecidas pela ciência.
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