Os anos finais do ensino fundamental — do 6º ao 9º ano — concentram uma fase marcada pela transição da infância para a adolescência e apresentam desafios específicos para escolas, professores e gestores. Para compreender melhor esse cenário, o Ministério da Educação (MEC) lançou nesta terça-feira (9) uma pesquisa inédita, realizada em parceria com Consed, Undime e Itaú Social, que ouviu mais de 2,3 milhões de estudantes em 21 mil escolas de todo o país.
O levantamento revelou que mais da metade dos estudantes se sente acolhida pela escola, mas menos de 40% afirmam respeitar e valorizar os professores. A percepção varia conforme a faixa etária: entre alunos do 6º e 7º anos, 66% disseram se sentir acolhidos, contra 54% dos estudantes do 8º e 9º anos.
Segundo a secretária de Educação Básica do MEC, Katia Schweickardt, os dados reforçam a importância de adaptar o currículo e preparar professores e comunidades escolares para lidar com diferentes perfis de aprendizagem. Já para a pedagoga Tereza Perez, da Roda Educativa, a falta de reconhecimento da diversidade das salas de aula favorece a evasão e o abandono escolar.
O relatório também aponta que a maioria dos adolescentes valoriza a socialização: 84% afirmaram ter amigos na escola. No entanto, o respeito ao professor é um dos pontos mais críticos, com queda significativa entre os mais velhos.
Outro dado relevante é que estudantes em situação de vulnerabilidade se sentem mais acolhidos (69%) do que aqueles em contextos de menor vulnerabilidade (56%).
Sobre os conteúdos considerados prioritários para o futuro, os alunos mais novos destacaram disciplinas tradicionais e aspectos socioemocionais, enquanto os mais velhos deram mais peso a habilidades para o futuro, como tecnologia e educação financeira.
De acordo com a superintendente do Itaú Social, Patrícia Mota Guedes, a escuta de adolescentes deve orientar a formulação da primeira política nacional voltada aos anos finais do ensino fundamental, superando décadas de ausência de estratégias específicas para essa etapa.
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