Uma operação conjunta da Receita Federal, da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal foi deflagrada nesta terça-feira para desarticular uma organização criminosa especializada no contrabando de cigarros de origem paraguaia. Batizada de Operação Rota Clandestina, a ação tem como alvo um grupo com atuação interestadual e suspeito de movimentar mais de R$ 76 milhões por meio de atividades ilícitas.
As investigações revelaram uma estrutura criminosa organizada e hierarquizada, responsável pela importação clandestina, armazenamento, transporte e comercialização de cigarros ilegais em diversos estados brasileiros, entre eles Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso.
Durante as apurações, foram registradas pelo menos 12 grandes apreensões, que somaram mais de 1 milhão de maços de cigarros contrabandeados. Segundo os investigadores, os produtos eram adquiridos no Paraguai e introduzidos ilegalmente no Brasil por rotas clandestinas na região de fronteira.
Após a entrada no país, os cigarros eram armazenados em depósitos clandestinos localizados em Campo Grande e posteriormente distribuídos para outros estados por meio de veículos adaptados, transportadoras ligadas ao grupo e documentos fiscais falsificados para conferir aparência de legalidade às cargas.
Além do contrabando, a investigação identificou fortes indícios de lavagem de dinheiro. De acordo com a Receita Federal, o grupo utilizava empresas de fachada, pessoas interpostas — conhecidas como “laranjas” —, movimentações incompatíveis com a renda declarada e transferências fracionadas para ocultar a origem dos recursos.
Também foram detectados mecanismos informais de envio de dinheiro ao exterior, conhecidos como “dólar-cabo”, além de variações patrimoniais sem comprovação de origem.
As análises fiscais e bancárias realizadas pelos órgãos envolvidos apontaram incompatibilidades entre os rendimentos declarados pelos investigados e as movimentações financeiras registradas, fortalecendo as provas reunidas durante a investigação.
Segundo as autoridades, a organização operava com divisão de funções entre seus integrantes, que atuavam desde a compra dos cigarros no exterior até a distribuição e gestão financeira da atividade criminosa.
A logística envolvia:
- Aquisição de cigarros na fronteira com o Paraguai;
- Transporte fracionado para reduzir riscos de apreensão;
- Armazenamento em imóveis e estabelecimentos comerciais;
- Distribuição em larga escala para diversos estados;
- Uso de empresas de fachada e notas fiscais fraudulentas;
- Ocultação de recursos por meio de contas de terceiros e sistemas informais de remessas financeiras.
Mandados e efetivo mobilizado
A Operação Rota Clandestina cumpre 14 mandados de busca e apreensão, cinco mandados de prisão preventiva e cinco medidas de monitoramento eletrônico por tornozeleira. As determinações foram expedidas pela 3ª Vara Federal de Campo Grande e são executadas nos municípios de Campo Grande e Santa Luzia.
Participam da ação 22 servidores da Receita Federal, entre auditores-fiscais e analistas-tributários, além de 62 policiais federais e 17 policiais rodoviários federais.
A Receita Federal destacou que a operação reforça o compromisso institucional no combate ao contrabando, à lavagem de dinheiro, às organizações criminosas e à concorrência desleal, além da proteção da economia formal e da arrecadação tributária.
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