A presença feminina no mercado de trabalho brasileiro cresceu nas últimas décadas, mas ainda enfrenta obstáculos como desigualdade salarial, informalidade e baixa participação em cargos de liderança. No setor portuário, esse cenário também se repete: mulheres ocupam apenas 17,8% dos postos de trabalho, segundo levantamento da Agência Nacional de Transportes Aquaviários.
Para especialistas e gestores públicos, superar essas barreiras exige mudanças estruturais e culturais. A secretária-executiva adjunta do Ministério de Portos e Aeroportos, Thairyne Oliveira, destaca a importância de ampliar a presença feminina em posições estratégicas.
“É essencial garantir que mulheres ocupem espaços de decisão e tenham voz ativa. Isso contribui diretamente para uma sociedade mais justa e equilibrada”, afirma.
Além da dimensão social, a equidade de gênero também impacta positivamente a produtividade, a inovação e o desenvolvimento econômico. Nesse contexto, diferentes portos brasileiros têm adotado medidas para ampliar a diversidade e fortalecer a participação feminina no setor.
A gestão local tem investido em programas de capacitação e políticas de inclusão, com foco na ampliação da presença feminina, especialmente em cargos de liderança. A iniciativa busca transformar a cultura do setor e valorizar a diversidade no ambiente de trabalho.
Capacitação e oportunidades em Paranaguá
No Porto de Paranaguá, metade das vagas em cursos de capacitação passou a ser reservada para mulheres desde 2024.
A medida já apresenta resultados práticos, com maior participação feminina em áreas tradicionalmente masculinas, como estiva e conferência de cargas. A autoridade portuária também mantém ações de combate ao assédio e incentivo à igualdade no ambiente profissional.
Equidade como estratégia no Pecém
No Porto do Pecém, as mulheres já representam 32% do quadro funcional e 40% das posições de liderança.
A Companhia de Desenvolvimento do Complexo Industrial e Portuário do Pecém investe em programas de formação e ações educativas voltadas à diversidade, além de garantir pelo menos 50% das vagas para mulheres em projetos de qualificação profissional.
Liderança feminina no Porto do Itaqui
O Porto do Itaqui se destaca pela presença feminina na gestão. Atualmente, mulheres ocupam 48% dos cargos de liderança e 41,5% do total de עובדים.
Em 2025, o porto passou a ser comandado por Oquerlina Costa, primeira mulher a assumir de forma efetiva a presidência de um dos principais complexos logísticos do Arco Norte.
Avanços no Pará e no Sul do país
Na Companhia Docas do Pará, as mulheres representam 27% do quadro total e 45% dos cargos de confiança, o que coloca a instituição entre as empresas públicas com maior participação feminina em decisões estratégicas.
Já no Portos RS, iniciativas voltadas ao empreendedorismo feminino têm promovido inclusão produtiva e geração de renda em comunidades locais, fortalecendo o papel das mulheres na economia regional.
Na Companhia Docas do Ceará, elas representam 25% do quadro funcional e 36% das posições de liderança, com políticas voltadas à diversidade e inclusão.
Em março, o Ministério de Portos e Aeroportos criou o primeiro grupo de trabalho voltado à equidade de gênero no setor portuário. A iniciativa busca identificar barreiras, propor políticas públicas e ampliar a participação feminina nas atividades logísticas.
A coordenadora do grupo, Maria Cristina Dutra, destaca que o avanço da igualdade de gênero é fundamental para o desenvolvimento sustentável do setor.
A estratégia do governo inclui tanto o reconhecimento de boas práticas quanto campanhas de conscientização, com o objetivo de promover ambientes mais seguros, inclusivos e igualitários.
Embora os desafios ainda sejam significativos, as iniciativas em curso indicam um movimento de transformação gradual no setor portuário brasileiro, com maior valorização da diversidade e ampliação das oportunidades para mulheres.
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