O Ministério Público do Trabalho no Rio de Janeiro (MPT-RJ) abriu uma Notícia de Fato para apurar o envio de uma carta da rede de supermercados Zona Sul aos funcionários às vésperas do segundo turno das eleições de 2026. A informação foi divulgada na última sexta-feira (23). O órgão vai analisar o conteúdo do documento e as circunstâncias em que a mensagem foi encaminhada aos trabalhadores.
Assinada pelo presidente da empresa, a carta defende o chamado “voto consciente” e menciona a necessidade de mudança. Embora não cite diretamente nenhum candidato, o texto propõe uma revisão de prioridades, posturas e modelos. A iniciativa provocou questionamentos sobre os limites da manifestação política de empregadores durante o período eleitoral.
A divulgação do documento foi criticada pelo vereador Rick Azevedo (PSol), eleito deputado federal. Em publicação nas redes sociais, ele afirmou que a rede de supermercados distribuiu aos funcionários uma carta que falava em esgotamento de ciclo e necessidade de mudança. O parlamentar classificou a situação como possível assédio eleitoral e questionou a atuação da Justiça Eleitoral.
O Sindicato dos Comerciários do Rio de Janeiro também tomou medidas contra a empresa e ingressou com uma ação na Justiça. Para a entidade, o envio de mensagens políticas por um empregador aos seus funcionários exige atenção, especialmente diante da relação de hierarquia existente no ambiente de trabalho.
Em nota, o sindicato argumentou que os trabalhadores têm autonomia para formar suas próprias opiniões políticas e escolher seus candidatos, sem interferência ou pressão de seus superiores. A entidade ressaltou que a condição de empregador não dá à empresa o direito de influenciar ou constranger a consciência política dos funcionários.
O sindicato também apontou que manifestações aparentemente genéricas sobre mudanças no país podem estar relacionadas a interesses políticos e econômicos. Segundo a entidade, esses interesses nem sempre coincidem com os dos trabalhadores, sobretudo em debates sobre direitos trabalhistas e propostas como o fim da escala de seis dias de trabalho por um de descanso, conhecida como escala 6×1.
A apuração do Ministério Público do Trabalho deverá avaliar os elementos apresentados e verificar se houve alguma conduta que possa caracterizar irregularidade nas relações de trabalho. O registro de uma Notícia de Fato representa uma etapa inicial de análise e não significa que a empresa já tenha sido considerada responsável por uma infração.
Procurada pela Agência Brasil, a direção da rede de supermercados Zona Sul não foi localizada até a publicação da reportagem. O espaço permanece aberto para manifestação da empresa.
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