O Programa Move Brasil, criado para facilitar o acesso ao crédito por motoristas de aplicativo e taxistas, poderá passar por mudanças para aumentar a adesão. A possibilidade foi anunciada na última quarta-feira (19) pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan.
Segundo o ministro, a equipe econômica avalia ajustes nas regras do programa e também formas de ampliar a participação de instituições financeiras privadas. As alterações ainda estão em análise e podem envolver a integração dos bancos com plataformas utilizadas pelos trabalhadores.
Durigan falou sobre o assunto após uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e outros integrantes do governo, no Palácio da Alvorada. No encontro, foram avaliados programas de crédito e discutidas medidas relacionadas ao comércio exterior e às tarifas aplicadas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros.
O Move Brasil oferece financiamento com juros reduzidos para trabalhadores que utilizam veículos como instrumento de trabalho. O programa contempla carros novos de até R$ 150 mil, além de veículos seminovos, motocicletas e bicicletas.
De acordo com Dario Durigan, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal apresentam participação maior nas operações, enquanto os bancos privados demonstram menor interesse em disponibilizar crédito dentro do programa.
O governo pretende entender os motivos da baixa participação das instituições privadas e verificar se ajustes nas condições ou nos mecanismos de operação podem estimular novas contratações. Apesar da adesão abaixo da expectativa inicial, o ministro afirmou que o programa apresenta resultados considerados relevantes e que as discussões com o setor financeiro continuam.
Entre as mudanças avaliadas está o aperfeiçoamento da comunicação entre bancos e plataformas utilizadas pelos motoristas de aplicativo. A ideia é facilitar o acesso a informações sobre a renda dos trabalhadores, o que poderia contribuir para a análise de crédito e tornar o processo de financiamento mais eficiente.
O governo ainda não definiu quais alterações serão adotadas. A equipe econômica deverá avaliar os resultados das medidas antes de decidir sobre eventuais mudanças nas regras do programa.
Durante a reunião com o presidente Lula, o governo também analisou o desempenho de outras iniciativas de financiamento lançadas recentemente.
Entre os programas discutidos estão linhas destinadas à aquisição de caminhões e ônibus, crédito para motocicletas e ações voltadas à renegociação de dívidas, como o Desenrola.
Também foram avaliadas medidas de apoio a trabalhadores e empresas diante do cenário econômico e comercial.Outro tema discutido durante a reunião foi a resposta brasileira às tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos nacionais. O governo iniciou um processo de análise para avaliar possíveis medidas de reciprocidade diante das tarifas aplicadas pelo governo norte-americano.
Segundo Dario Durigan, a abertura desse processo não impede a continuidade das negociações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos. O ministro afirmou que o governo brasileiro pretende manter o diálogo com Washington. A avaliação sobre eventual reciprocidade será feita de forma gradual, com consultas aos setores econômicos afetados pelas medidas norte-americanas.
A abertura do processo não representa a aplicação imediata de novas tarifas sobre produtos dos Estados Unidos. Nesta etapa, o governo brasileiro pretende analisar os impactos das medidas adotadas pelos norte-americanos e ouvir os setores envolvidos.
O procedimento tem como base a Lei nº 15.122/2025, conhecida como Lei da Reciprocidade Econômica. A legislação estabelece mecanismos que podem ser utilizados pelo Brasil diante de medidas unilaterais de outros países que afetem negativamente as exportações brasileiras.
O governo também avalia outras alternativas para auxiliar empresas e setores atingidos pelas tarifas. Entre as possibilidades está a ampliação do regime de drawback, mecanismo que permite reduzir ou suspender determinados tributos sobre insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à exportação.
As medidas fazem parte das ações discutidas no âmbito do programa Brasil Soberano, criado para apoiar setores da economia afetados pelas mudanças no comércio internacional.
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